Tarifaço é inadmissível e oposição usa como muleta eleitoral, diz Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi taxativo durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (16), na qual tratou da reação do governo Lula à confirmação do tarifaço pelos Estados Unidos. Além de classificá-lo como uma interferência externa indevida, salientou que direita usa a medida como “muleta eleitoral sem considerar os interesses do nosso povo”.
“Do ponto de vista do governo, essa interferência externa — seja ela política, seja ela econômica, seja ela uma forma de afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros — é inadmissível”, enfatizou.
O ministro destacou, ainda, que “a política econômica de um país é feita para os seus cidadãos, não para atender o secretário de Estado de um outro país, sinalizando com um programa de governo de transição, para atender as suas prioridades estrangeiras”. Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro (PL) enviou mensagem a Marco Rubio colocando sua “equipe de transição” à disposição do governo dos EUA numa eventual vitória pela disputa presidencial.
Ele completou dizendo que “é para reduzir desigualdade, melhorar o bem-estar das famílias e combater o privilégio e injustiças que a gente adota uma política econômica num país”.
Mais adiante, ressaltou que “essa medida (o tarifaço), baseada em motivação falsa, fere o senso mais básico do nosso patriotismo. Ainda mais quando a oposição brasileira usa isso de muleta eleitoral sem considerar os interesses do nosso povo”.
Ele reafirmou que as tarifas são “ilegítimas, pois estão fundadas em argumentos falsos” e que “o que atrapalha o consumidor norte-americano e o empresário brasileiro são as tarifas”.
Durigan também usou o argumento da complementariedade dos negócios entre os dois países para evidenciar outra contradição do discurso adotado pela gestão Trump. “A prova de que as economias brasileira e norte-americana, nesses mais de 200 anos de parceira, são complementares é que a decisão do próprio escritório de comércio ampliou as exceções (às novas tarifas), dizendo que são insumos essenciais à economia norte-americana (…). Isso revela a ilegitimidade, a falta de razão e a motivação política para o novo tarifaço”.
Compromisso do governo
Após o anúncio dos EUA, o governo reagiu, anunciando medidas para mitigar os efeitos das novas tarifas sobre a economia brasileira e a vida da população.
Nesse sentido, Durigan destacou: “Preciso dizer à opinião pública brasileira que a nossa estabilidade macroeconômica está mantida e estará mantida a despeito da interferência externa dos EUA. Com isso, não quero menosprezar o impacto negativo que, porventura, venha a se abater sobre alguns setores, mas a gente vai seguir entregando recordes de geração de emprego, mínima de inflação, recorde na balança comercial, de abertura de novos mercados e de investimentos em infraestrutura. Não há país estrangeiro que interfira no destino do nosso povo”.
O ministro salientou ainda que o governo federal sempre esteve “ao lado das nossas empresas e vai seguir fazendo isso. Já temos pontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e nossos empregos”.
Durigan reafirmou que os setores afetados “serão mais uma vez chamados ao diálogo e nós ampliaremos e reforçaremos o plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço dos EUA”.
Nesse momento, acrescentou ser incompreensível que “alguns grupos políticos e lideranças empresariais reforcem e apoiem esse pleito internacional que não resguarda as prioridades dos próprios setores que eles representam”.
Durigan também apontou que a possibilidade de adoção da Lei da Reciprocidade — aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional para enfrentar esse tipo de interferência unilateral — será levada à análise do presidente Lula por ele e demais ministros envolvidos na questão. “O presidente nos dará a orientação a respeito disso”, disse.
Ao encerrar sua fala, enfatizou: “Seguiremos sem baixar a cabeça, sem nos dobrarmos aos interesses estrangeiros; vamos seguir protegendo do Pix, maior símbolo da nossa soberania financeira. Seguiremos protegendo nossa soberania geológica, sem viralatice, e seguiremos protegendo a nossa democracia contra interferência internacional indevida”.
Com isso, concluiu, “não estamos dizendo que não estaremos abertos à negociação, porque seguiremos abertos à diplomacia e à negociação, seja com os EUA, seja com qualquer outro país que nos trate com o devido respeito”.

