Foto: Ricardo Stuckert

O PDT (Partido Democrático Trabalhista) decidiu, por unanimidade, nesta segunda-feira (20), oficializar seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Presente ao ato realizado em Brasília, o presidente reforçou a defesa da soberania e da democracia e mandou um recado direto ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, contra a interferência no processo eleitoral brasileiro por parte do governo Donald Trump.

Em seu discurso, Lula agradeceu o apoio e ressaltou: “Nós não temos o direito de permitir que o negacionismo e o fascismo voltem a pensar em governar este país”. Também salientou não haver possibilidade de “a gente permitir que a democracia sofra mais um arranhão como sofreu no golpe contra Dilma Rousseff em 2016. O lema é esse”.

Por isso, apontou a defesa da soberania nacional e da democracia como eixo central da campanha. Tal posicionamento reflete o cenário de intensificação das ingerências do governo Trump no Brasil, com apoio da extrema direita golpista e, em especial, do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e sua família.
Nesse sentido, declarou: “se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir apoiar o meu adversário, que venha, que monte o comitê, porque a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia desse país”.

O presidente ressaltou que “o valor do que significa a democracia para o povo brasileiro” é “sagrado” para ele. E acrescentou: “senti na pele a facilidade da destruição das coisas que são construídas com sacrifício. Essa gente destruiu o país em apenas seis anos depois do golpe contra Dilma. Quase todas as políticas públicas que tinham virado conquistas do povo foram destruídas e tivemos de recompor tudo”.

Ao mesmo tempo, ponderou: “Já fizemos muito, mas ainda fizemos pouco pelo tanto que esse povo necessita, pelo tanto de tempo que esse povo ficou esquecido”.

Apoio inaugural

O PDT foi o primeiro a formalizar sua chancela ao quarto mandato do presidente, ao realizar sua convenção no dia que abriu o período das convenções, estipulado pela Justiça Eleitoral para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.

Ao anunciar o apoio a Lula, o presidente do partido e ex-ministro do governo, Carlos Lupi, salientou: “Hoje, nosso ato é um reencontro com a nossa história. De restabelecimento do nosso caminho. Dizer ao presidente Lula que PDT não falta. Votamos Lula, votamos 13”.

Além disso, declarou: “Estamos somando aquilo que nos une e, porventura, em algum momento nos desuniu, esquecendo isso para olhar para frente”.

As falas fazem referência à tática adotada pelo PDT nas últimas disputas presidenciais, quando lançou Ciro Gomes (hoje no PSDB) no primeiro turno e apoiou candidatos do PT apenas no segundo turno.

Sobre o atual momento político, Lupi optou por uma comparação histórica: “De um lado, é o time de Joaquim José da Silva Xavier, de Tiradentes, ao qual nos filiamos. Do outro é o do Silvério dos Reis. Cada um escolhe um lado nessa hora”.

Ele prosseguiu dizendo que “quem quiser escolher o lado Silvério dos Reis, pague o preço que a história irá cobrar de alimentar essa direita carcomida, como falava o (Leonel) Brizola, de alimentar essa gentalha que não tem amor a ninguém, que usa a religião falseando religiosidade, discriminando, perseguindo, odiando e querendo fazer do Brasil uma sucursal dos Estados Unidos da América do Norte”.