Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês | Foto: MRE

O Ministério de Relações Exteriores da China acusou na quinta-feira (9) o governo dos Estados Unidos de “violar gravemente” a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e exigiu o “fim imediato” das sanções impostas de forma criminosa e unilateral a Cuba.

A China comemorou nesta quinta-feira (9) o amplo apoio internacional conquistado pelo povo cubano, expresso de forma contundente por 136 países na Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), que se pronunciaram em oposição ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA.

Além do cerco energético, responsável por vários apagões e pelo aumento da mortalidade infantil, as sanções secundárias e as ameaças de agressão militar, o governo de Donald Trump continua com suas ameaças à Ilha, assinalou.

De acordo com a chancelaria chinesa, a expressiva votação em defesa de Cuba reflete o respaldo da comunidade internacional a um povo que não se dobra em sua luta pela soberania nacional e sua firme oposição à ingerência e a um bloqueio que ultrapassa seis décadas. O fato, enfatizou a porta-voz do Ministério, Mao Ning, “é que o unilateralismo e a intimidação são injustos e impopulares”.

Mao Ning denunciou que o governo estadunidense intensificou suas medidas contra a ilha, desencadeando uma crise energética e causando graves dificuldades a todo um povo, o que viola os propósitos e princípios da Carta da ONU e as normas básicas que regem as relações internacionais.

Diante dos reiterados atropelos que vêm sendo cometidos, a porta-voz reiterou que a China está pronta para colaborar com a comunidade internacional na defesa da equidade e da justiça, bem como para apoiar Cuba na salvaguarda da sua independência, fortalecendo a cooperação bilateral com Havana.

Conforme esclareceu o governo chinês, o bloqueio imposto gerou perdas superiores a US$ 170 bilhões (R$ 869,7 bilhões) para Cuba por meio de “sanções de estrangulamento” aplicadas por “sanções unilaterais ilegais que não têm fundamento no direito internacional”.

Bruno Rodríguez Parrilla, ministro das Relações Exteriores de Cuba, apresentou à Assembleia Geral da ONU uma imagem que mostrava ajuda humanitária internacional sendo distribuída em carroças de boi devido à escassez de combustível. Isso ocorreu justamente durante um debate multilateral sobre a necessidade de acabar com o bloqueio.

Como o enviado do Departamento de Estado havia falado em repressão e direitos humanos, Rodríguez Parrilla apresentou a imagem de uma mulher morta por autoridades de imigração dos EUA e a de um menino de cinco anos detido pela mesma força policial. “Não é em Cuba, senhor presidente; é nos Estados Unidos da América, durante uma operação do ICE”, enfatizou o chanceler.

E colocando abaixo a narrativa, o chanceler cubano ridicularizou o que o representante norte-americano falou em “corrupção”. “É surpreendente ouvir isso de um representante da atual administração – uma administração conhecida por ser uma verdadeira plutocracia, caracterizada pela corrupção institucional e legal, pela influência dos chamados interesses especiais e por campanhas eleitorais multimilionárias”, advertiu.

“É um país onde o dinheiro e as corporações governam, onde os eleitores são manipulados e onde a perseguição judicial – juntamente com a corrupção e a politização do sistema de justiça – é utilizada para fins políticos. Foi aqui, e não em Cuba, que a escandalosa corrupção dentro do Departamento de Segurança Interna foi revelada”, concluiu.

Fonte: Papiro