Lula mantém preferência do eleitor e tem rejeição menor do que Flávio Bolsonaro
Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (29) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue na liderança na preferência do eleitorado, tanto no primeiro quanto no segundo turno. No principal cenário de primeiro turno estimulado, Lula tem 42% contra 34% de Flávio Bolsonaro (PL).
Neste caso, onde todos os postulantes são testados, os demais candidatos seguem distantes, com Ronaldo Caiado (PSD) marcando 5%, seguido de Renan Santos (Missão) 4% e de Romeu Zema (Novo), com 3%.
No pelotão que marca 1% cada estão Joaquim Barbosa (DC), Augusto Cury (Avante), Aécio Neves (PSDB) e Cabo Daciolo (Mobiliza). Os que responderam nenhum, branco ou nulo somam 5% e os que não sabem ou não responderam (NS/NR) ficaram em 3%.
Lula, portanto, manteve sua posição em relação à pesquisa do mesmo instituto divulgada em 15 de junho e Flávio passou de 33% para 34%, o que pode indicara estabilidade.
No voto espontâneo, que demonstra a consolidação do voto para o eleitor, Lula tem ainda mais vantagem sobre o candidato da extrema direita, marcando 38% ante 27%. Considerando este cenário, Lula saiu de 36% na pesquisa anterior para 38% agora, enquanto Flávio se manteve com 27%.
Renan marca 3%, Caiado 2%, Zema 1% e os demais somam 3%. Neste caso, o índice de NS/NR atinge o percentual de 20%, enquanto nenhum/brancos/nulos ficam em 6%.

Quando feito o cruzamento relativo à divisão política, Lula também tem vantagem: 83% dos lulistas convictos votam no presidente e os que o têm como alternativa somam 60%. No caso dos bolsonaristas, Flávio tem 68% dos convictos e 42% o consideram como alternativa.
Em relação aos eleitores não polarizados, a maioria indica voto em Lula, 33%, ate 26% que preferem Flávio. No espectro anti-Lula e anti-Bolsonaro, o percentual é praticamente igual, com 26% para o primeiro e 25% para o segundo.
No caso da principal hipótese de cenário para o segundo turno, a pesquisa mostrou Lula com 47% e Flávio com 44% — na pesquisa anterior, os índices foram de, respectivamente, 49% a 43%.
Quando testada a migração de voto entre o primeiro e o segundo turno, 49% dos que escolheram Aécio Neves ou Augusto Cury preferem Lula, ante 36% que optam por Flávio. Os eleitores de Joaquim Barbosa também vão majoritariamente, 40%, para o presidente, enquanto 35% dizem não saber e 25% indicam preferência pelo senador. Flávio tem a preferência dos eleitores de Zema (72%), Caiado (52%) e Renan (46%).
A pesquisa foi feita entre os dias 26 e 28 de junho, com 2.009 pessoas e tem nível de confiança de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais na estimativa geral.
Recortes sociais
A pesquisa também avaliou como votam diferentes grupos sociais. Um dos segmentos testados é o dos beneficiários do Bolsa Família. No caso do principal cenário de primeiro turno estimulado, Lula tem 68% da preferência, ante 13% de Flávio Bolsonaro. Entre os não beneficiários, os percentuais são de 37% para o presidente, contra 38 do senador.
Nesse mesmo cenário, 48% das mulheres preferem Lula e 29%, Flávio (essa diferença salta para 55% a 36% no segundo turno). Ente os homens, a tendência se inverte, com 40% indicando o senador e 35%, o presidente (no caso do segundo turno, Flávio tem 53% do voto masculino, ante 39% que vão com Lula).
No recorte por idade, a maioria dos que preferem Lula está no estrato dos que têm 60 anos ou mais, com 56%, ante 29% de Flávio. O segundo melhor desempenho do presidente está na faixa imediatamente anterior, dos 41 aos 59 anos, com 43%, contra 33% do concorrente.
As faixas etárias em que o senador tem maior penetração é a dos 16 a 24 anos, com para ele 40% a 32% para Lula. Os dois empatam no segmento dos 25 aos 40 anos, com 36% cada.
Ao analisar o eleitorado por escolaridade, a pesquisa aponta que Lula tem 52% dos que têm o ensino fundamental — neste caso, Flávio tem 29% — e 38% contra 31% entre os que têm ensino superior. Flávio tem a preferência dos que cursaram apenas o ensino médio, marcando 41%, contra 34% para Lula.
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No estrato religioso, Lula tem vantagem entre os que não têm religião (52% a 26% para Flávio), entre os que têm outras religiões que não a católica e a evangélica (41% a 31%) e entre os católicos (48% contra 29%). Flávio, por sua vez, tem a preferência de 48% dos evangélicos, contra 29% que escolhem Lula.
Do ponto de vista socioeconômico, Lula está bem à frente no segmento dos que têm renda mais baixa. Ele soma 53% contra 23% de Flávio no grupo das pessoas com renda familiar de até um salário mínimo (SM); entre as que recebem de um a dois SM, a diferença é de 46% a 30%, respectivamente.
Já no caso das famílias com renda de dois a cinco SM, os percentuais são de 39% para o senador e 37% para Lula; a diferença é maior com vantagem para Flávio entre as famílias com renda superior a cinco SM: 41% a 35%.
O levantamento também dividiu o eleitorado entre os que compõem a População Economicamente Ativa (PEA) formal e informal, bem como o segmento dos “desocupados” e os que não fazem parte da PEA.
Neste caso, Lula tem melhor performance em três dos quatro recortes. O presidente marca 53% contra 30% do senador entre os desempregados; entre os que não fazem parte da PEA, com 52% a 26%, e entre os que estão na PEA informal, 42% a 36%. Flávio, por sua vez, tem mais eleitores entre os da PEA formal, com 40% ante 32% de Lula.
Lula também segue sendo o favorito no Nordeste (56% a 25%) e no Sudeste (40% a 33%), enquanto Flávio tem a preferência no Sul (51% a 29%) e no Norte/Centro-Oeste, onde marca 37% contra 33%.
Quando o recorte é feito pela condição dos municípios, Lula tem a preferência em todos os três grupos aferidos. Ele marca 46% contra 29% de Flávio nas capitais; 41% a 39% nas regiões metropolitanas e 39% a 36% no interior.
Características do voto
Ainda com base no principal cenário de primeiro turno estimulado, a pesquisa também quis saber o grau de certeza das pessoas na escolha de seus candidatos: 74% disseram que a decisão já está tomada e que não vão mudá-la, ante 25% que podem mudar — público que, portanto, deverá concentrar a maior atenção dos postulantes. Somente 1% disseram não saber.
Também neste caso, os eleitores de Lula são os que mais têm certeza de sua decisão, marcando 83% contra 16% dos que responderam que pode mudar. No caso de Flávio, os percentuais são de, respectivamente, 76% e 23%.
Quando considerada da divisão política da sociedade, 87% dos lulistas convictos dizem ter sua decisão já tomada, contra 12% que disseram que podem mudá-la. No caso de Flávio, a volatilidade é maior, com 80% dos bolsonaristas certos de sua escolha e 18% não tão certos.
Entre os que se dizem anti-Lula e anti-Bolsonaro, a certeza do voto é de 70%, enquanto 26% dizem que podem mudar. E entre os não polarizados os percentuais são de, respectivamente, 63% a 36%.
Os que dizem considerar “Bolsonaro como alternativa”, conforme a nomenclatura da pesquisa, 57% não pretendem mudar o voto, contra 43% que dizem que podem alterá-lo. No caso de Lula como alternativa, os percentuais são de 51% a 46%.
Potencial de voto e rejeição
Considerando a amostra total da pesquisa e os dois principais candidatos, o potencial de voto favorece Lula: 38% dizem que o presidente é o único em quem votariam e outros 12% dizem que poderiam votar nele, mas também em outro. A rejeição ao seu nome — ou seja, aqueles que dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum — fica em 49%.
No caso de Flávio, ele tem percentual menor entre os que dizem que só votariam nele, com 28%; outros 18% dizem que poderiam votar nele ou em outro; já o seu grau de rejeição bate em 51%.
Considerando todos os candidatos de primeiro turno, Aécio Neves é o que atinge a maior rejeição, 60%, e Lula é o que apresenta mais eleitores que só votariam nele, com 38%.
Pegando algumas segmentações entre o potencial e a rejeição, Lula tem maior adesão de mulheres (57%); de pessoas com 60 anos ou mais (62%); com ensino fundamental (60%); sem religião (60%); entre famílias que recebem até um salário mínimo (63%); as pessoas que não estão na PEA (60%); as do Nordeste (63%) e das capitais (55%).
Flávio, por sua vez, obtém melhor potencial entre homens (55%); pessoas entre 16 e 24 anos (57%); com ensino médio (55%); evangélicos (62%); de dois a cinco SM e mais de cinco (53% em ambos); PEA formal (54%), Sul (63%) e região metropolitana (49%). No caso da rejeição, os percentuais seguem a mesma lógica, em sentido inverso, conforme gráfico abaixo.

Questionados sobre quem prefere que seja eleito, na amostra total, 39% dizem Lula e 36% respondem Flávio ou algum indicado por Jair Bolsonaro ou membro da família; outros 21% dizem nem um, nem outro caso.
No que diz respeito à avaliação do governo Lula, 38% dizem ser bom/ótimo e 18% regular, enquanto 42% dizem ser ruim ou péssimo. Questionados ser aprovam ou desaprovam o governo, cada alternativa ficou com 48%.

