Bolsonaro pode perder prisão domiciliar após apreensão de arma
A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) pode estar com seus dias contados após a apreensão de uma arma de fogo, registrada em seu nome, com um de seus seguranças. A possibilidade foi aventada por pessoas do entorno do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo por tentativa de golpe.
Conforme noticiada pelo jornal Folha de S.Paulo, Moraes estaria inclinado a prorrogar a prisão domiciliar por não ter havido intercorrências que exigissem a suspensão.
No entanto, o fato de uma blitz policial, em Brasília, ter encontrado a arma teria gerado desconfiança no magistrado. Além disso, Moraes sinalizou que ordens judiciais poderiam estar sendo descumpridas. Isso porque é obrigatória a revista nos carros que deixam a casa do ex-presidente — e a arma foi encontrada num veículo a quilômetros dali.
Outro ponto que causou estranhamento foi a reação do segurança, o militar Estácio Leite da Silva Filho, que dirigia o veículo onde a pistola foi encontrada. Segundo relato de um policial que participava da operação, a arma estava no assoalho do carro. Quando percebeu, “o motorista, de forma repentina, fechou o vidro”.
O segurança também teria dito que a arma seria de seu uso funcional, mas, conforme o policial, não foi achado registro na documentação de Silva Filho.
Durante a blitz, realizada na noite de segunda-feira (15), também foi achado um carregador sobressalente da pistola, modelo Glock 9 milímetros. O motorista foi conduzido até uma delegacia e, em depoimento, relatou que retirou a pistola no próprio dia 15 com a finalidade de consertá-la e que a mesma seria devolvida no dia seguinte.
Após o ocorrido, Moraes determinou que os advogados de Bolsonaro explicassem “por que, às vésperas do encerramento do período de 90 dias concedido a título de prisão domiciliar humanitária, o condenado solicitou a realização de reparo no armamento”.
Bolsonaro está preso em casa desde o dia 24 de março, após deixar hospital em que estava internado para tratar uma pneumonia bacteriana. Antes, cumpria pena no 19° Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Além disso, Bolsonaro está inelegível por oito anos, desde 2023, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A condenação diz respeito à reunião que realizou com embaixadores, em julho de 2022, na qual atacou as urnas eletrônicas, como forma de colocar em dúvida, sem provas, a lisura do processo eleitoral brasileiro.
Com agências




