Lula inaugura com a Petrobrás retomada da produção de fertilizantes na Bahia
O presidente Lula afirma que o Brasil precisa diminuir a dependência dos fertilizantes importados. “O Brasil precisa ser dono do seu nariz e produzir os fertilizantes”, declarou durante solenidade de retomada da produção na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (FAFEN) em Camaçari, na Bahia, celebrada pela Petrobrás.
Na quarta-feira (14), a Petrobrás inaugurou oficialmente a retomada da produção de fertilizantes pela FAFEN-BA. Com investimento de R$ 100 milhões, a unidade já opera com 90% de sua capacidade total e atende 5% da demanda nacional.
A fábrica — hibernada e entregue à iniciativa privada por Jair Bolsonaro — voltou a operar em janeiro. Para o governo Lula, a retomada da produção de fertilizantes no país é decisiva para reduzir a dependência externa do produto fundamental para o fortalecimento do agronegócio e da segurança alimentar.
“O Brasil é um país agrícola, o Brasil é o segundo maior produtor de alimentos, tem hora que é o terceiro. Mas o Brasil não pode ser importador de 90% do fertilizante que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa ser dono do seu nariz e produzir fertilizantes”, defendeu o presidente.
Lula também criticou a ação de Jair Bolsonaro de desmontar e vender o patrimônio da Petrobrás, com o objetivo de privatizá-la.
“Eu comprei uma indústria de entrega de gás aqui, vocês estão lembrados? A Liquigás, a gente comprou para poder fiscalizar o preço do gás, eles venderam. Eles sempre tentaram privatizar a Petrobrás e com medo de não ser aprovado no Congresso, eles resolveram vender pedaços da Petrobrás. E foi assim que eles foram vendendo pedaços, venderam a refinaria daqui [RLAM da Petrobrás]”, criticou o presidente.
A Refinaria Landulpho Alves (RLAM), localizada na Bahia, foi privatizada em novembro de 2021 no governo Bolsonaro, vendida ao fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos.
“Por que a Petrobras não compra a refinaria? A gente quer comprar, mas pelo preço que a gente acha que é justo e não pelo preço de quem quer vender”, disse o presidente Lula.
“Vocês pensam que eu não tenho vontade de comprar uma distribuidora de gasolina? Você acha que eu me conformei algum dia com a venda da BR? Por que vender a BR? Ao vender a BR, eles tiraram da Petrobrás o direito de influir nos preços, na distribuição. Eu tenho certeza de que, se a gente estiver no ritmo que a gente dá e se vocês tiverem a vontade política, a gente vai ter uma distribuidora de gasolina outra vez”, completou Lula.
A FAFEN-BA apresenta uma capacidade diária de produção de 1.300 toneladas (t/d) de ureia, 1.300 t/d de amônia e 178 t/d de Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32).
Durante o evento de celebração da retomada da produção na Bahia, a presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, ressaltou que uma das grandes oportunidades para o gás natural é a produção de fertilizantes, visto que ele é o principal insumo desse setor. “Nós produzimos o gás junto com o petróleo. Por que não dar a ele um destino nobre em prol do desenvolvimento do país?”, enfatizou.
“É isso que nós estamos fazendo aqui, reabrindo fábricas de fertilizantes, aumentando a produção de gás do Brasil, aumentando a produção de gás do pré-sal e produzindo energia, termoeletricidade e também fertilizantes. É nessa direção que nós vamos prosseguir”, disse Chambriard.
A FAFEN-BA foi posta em hibernação, junto com a FAFEN-SE, em 2018, por decisão do governo Temer. No final de 2019, Bolsonaro entregou as unidades para Unigel, por meio de um contrato de cessão temporária de 10 anos. No governo Lula, as unidades foram retomadas pela Petrobrás e, após passarem por manutenção, entraram em funcionamento em janeiro de 2026 e dezembro de 2025, respectivamente.
No mês passado, a estatal também retomou a produção de ureia da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA). A fábrica localizada no Paraná estava paralisada desde 2020, quando foi colocada em hibernação e oferecida para venda durante o governo Bolsonaro.O governo Lula também retomou as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS), paralisadas desde 2014. O início da produção está previsto para 2029.
Com a UFN-III em operação junto com as demais fábricas de fertilizantes da Petrobrás, a direção da estatal projeta que a produção nacional de ureia possa atender até 35% da demanda do mercado brasileiro.
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