Flávio Bolsonaro admite ter visitado Vorcaro quando banqueiro estava preso em casa
O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou Daniel Vorcaro, dono do banco Master, quando este já estava em prisão domiciliar, no final de 2025. O encontro foi admitido pelo próprio Flávio nesta terça-feira (19), em meio às revelações sobre a proximidade entre ambos e sobre o pedido de recursos pelo senador ao banqueiro.
“Fui sim até o encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele”, disse Flávio. “Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investido há muito mais tempo e o filme não correria risco”, acrescentou.
A visita, segundo ele, ocorreu após Flávio ter cobrado Vorcaro o valor de R$ 134 milhões, supostamente para financiar para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, conforme mostraram reportagens do Intercept Brasil.
A declaração de Flávio ocorre após a constatação, inclusive de seu entorno, de que sua imagem está bastante chamuscada após as revelações. O caso, inclusive, causou ncômodo entre nomes do núcleo duro de apoio ao senador. Reuniões entre ele e líderes do PL ocorridas nos últimos dias tentam remediar a situação. Segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19), 51% acreditam que o senador está envolvido no caso Master.
Mentiras e desencontros
A admissão do encontro é mais uma evidência de que Flávio faltou com a verdade em diferentes momentos em que falou sobre o caso. Em mais de uma ocasião, inclusive quando as mensagens entre ele e Vorcaro foram publicadas, o senador negou ter relação com o banqueiro.
Ele também tem dito, como a própria declaração de agora, que não sabia da gravidade do caso Master. No entanto, a situação já era amplamente conhecida quando houve a troca de mensagens entre ele e o banqueiro a respeito do repasse.
Os diálogos vazados ocorreram entre 8 de dezembro de 2024 e 16 de novembro de 2025. No entanto, em agosto do ano passado, as suspeitas sobre o Master já eram de conhecimento público.
Naquele mês, uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontou, pela primeira vez, a suspeita de crimes financeiros na gestão do Master. Além disso, em Brasília e no meio financeiro, as fraudes aplicadas pelo banco e sua situação já eram bastante conhecidas antes mesmo desse episódio.
Outro ponto que chama atenção e ainda não foi devidamente explicado pelo clã Bolsonaro foi o valor exorbitante pedido para uma obra cinematográfica desse naipe. Desencontros de informações sobre o destino real dos valores repassados (ao todo, R$ 61 milhões — o restante não foi pago devido ao estouro do caso Master) e uso de um fundo no Texas para o pagamento levantaram uma série de suspeitas. Conforme tem sido apontado, o dinheiro pode estar relacionado com crimes financeiros, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e financiamento político oculto.
Uma das possibilidades aventadas é que parte do valor possa ter sido usada para bancar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, enquanto o então deputado articulava, junto ao governo Trump, iniciativas para prejudicar o Brasil e livrar seu pai da condenação por tentativa de golpe.


