Miranda, Vorcaro e Flávio. Fotos: reprodução/redes sociais; Wikimedia Commons e Waldemir Barreto/Agência Senado

A cada nova descoberta sobre o Banco Master, mais evidente fica a participação da direita e do bolsonarismo na trama e as artimanhas montadas por esses grupos para angariar recursos advindos das fraudes e operações escusas que enriqueceram a instituição, seu dono, Daniel Vorcaro, e seus parceiros.

Uma das novidades que vieram à tona, nesta quarta-feira (13), foi o papel desempenhado pelo empresário Thiago Miranda na intermediação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro para o repasse de recursos para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro (PL). A revelação é do Intercept Brasil.

Miranda é sócio do portal Léo Dias — junto com Vorcaro — e proprietário da agência Mithi, que contratou influenciadores para falar bem de Vorcaro e do Master nas redes sociais e criticar desafetos dele a partir da repercussão, em geral enviesada, de notícias publicadas em sites de notícias.

À coluna da jornalista Daniela Lima, do UOL, Miranda confirmou a assinatura de um contrato estabelecendo o pagamento de US$ 24 milhões (R$ 134 milhões) para a produção, intitulada “Dark Horse”. Somente parte do valor, US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões), acabou sendo pago, segundo o site, devido à crise que abalou o Master. A suspensão gerou cobranças por parte de Flávio.

Segundo o material obtido pelo Intercept, a primeira aproximação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, intermediada por Miranda e que consta nas conversas obtidas pela reportagem, ocorreu em 8 de dezembro de 2024.

“Na mensagem para confirmar o encontro, Miranda afirmou ao banqueiro que o senador queria tratar do ‘filme do presidente e do SBT $$’ [uma possível referência ao canal de televisão SBT], acrescentando que ‘Flavio está ciente de tudo’”, aponta a reportagem.

Além disso, o site informa que, em março, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria sugerido alternativas para facilitar o envio de recursos aos EUA para bancar o filme — a indicação é de que fosse usado o fundo Havengate.

“Projeto DV”

Conforme noticiado pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, na terça (12), como estratégia para melhorar sua imagem e a do banco e tentar evitar a derrocada da instituição, Vorcaro encomendou a Miranda plano para contratar influenciadores, no chamado “Projeto DV”, colocado em prática em dezembro.

Além de buscar limpar a imagem do banqueiro e do Master, a estratégia também previa a difamação do Banco Central que, sob a atual gestão, trabalhou para liquidar a instituição de Vorcaro, devido às fraudes que constituíam sua espinha dorsal.

Parte do “Plano DV” previa a repercussão de notícia segundo a qual o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, poderia reverter a liquidação, lançando dúvidas sobre a decisão do BC.

O valor combinado para a resposta à “crise de reputação” era de R$ 3,5 milhões mensais, mas de acordo com o material levantado pelo jornal, Miranda teria recebido apenas pelo primeiro mês, em decorrência dos desdobramentos da crise e da revelação do plano.

Outra notícia, veiculada também nesta terça, pelo jornal Folha de S.Paulo, apontou que o “Projeto DV” teria como estrategista Marcello Lopes, marqueteiro de Flávio Bolsonaro em sua pré-campanha à presidência, juntamente com Miranda e o publicitário Anderson Nunes.

Com agências