Letalidade policial explode na gestão Tarcísio com alta de 41%
A violência policial voltou a crescer de forma acelerada em São Paulo durante o governo do bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), consolidando uma tendência de alta que já havia atingido níveis recordes no fim de 2025. Dados do primeiro bimestre de 2026 mostram que 130 pessoas foram mortas por policiais militares e civis no estado – um aumento de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A escalada ocorre mesmo sem operações concentradas como as realizadas anteriormente, o que indica um padrão mais amplo de intensificação da letalidade. No último trimestre de 2025, São Paulo já havia registrado o maior número de mortes por intervenção policial desde o início da série histórica, em 1996.
O cenário é ainda mais grave na Baixada Santista, onde a violência policial praticamente explodiu. Nos dois primeiros meses de 2025, haviam sido registradas seis mortes provocadas por agentes do Estado. Em 2026, esse número saltou para 23 – um avanço de 283%. A região, que já havia sido palco de operações altamente letais como a Escudo e a Verão, volta a concentrar episódios de mortes em série, inclusive casos com múltiplas vítimas em uma única ocorrência.
O recrudescimento da letalidade policial contrasta com a queda de indicadores criminais, como homicídios e roubos, frequentemente utilizados pelo governo estadual para justificar sua política de segurança. Especialistas apontam que a redução desses índices não explica, por si só, o aumento expressivo de mortes causadas por agentes do Estado.
No centro dessa escalada estão batalhões de elite da Polícia Militar, como a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e os Batalhões de Ações Especiais de Polícia (Baep). Historicamente associados a altos índices de letalidade, esses grupos ampliaram sua atuação durante o atual governo e passaram a concentrar um número crescente de ocorrências com resultado morte.
A Rota, em particular, lidera a disparada das mortes. Em 2025, foi o batalhão que mais matou no estado, com 67 vítimas. Apenas nos primeiros meses de 2026, já esteve envolvida em 22 mortes, ritmo que, se mantido, pode superar novamente os números do ano anterior. A atuação da tropa tem se expandido territorialmente, atingindo um número maior de municípios e populações periféricas.
Casos emblemáticos também revelam a gravidade da situação. Entre eles, a morte de um jovem de 21 anos na Brasilândia, zona oeste de São Paulo, atingido com um tiro na cabeça por um policial de folga após uma discussão de trânsito – episódio que reforça o padrão de uso extremo da força, mesmo fora de operações oficiais.
Outro ponto crítico é o enfraquecimento de mecanismos de controle. Durante a campanha eleitoral, Tarcísio chegou a defender o fim das câmeras corporais na PM, política que havia contribuído para a redução de mortes em anos anteriores. Embora tenha recuado parcialmente após pressão pública, mudanças implementadas sob sua gestão reduziram a eficácia do monitoramento, ao permitir que os próprios policiais acionem os equipamentos.
Fonte: Página 8



