Foto: Miguel Ângelo/ CNI, via Agência Brasil

O Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com taxa de desemprego de 6,1%, a menor para esse período de toda a série histórica iniciada em 2012. O desempenho foi obtido mesmo com leve crescimento, de um ponto percentual, frente aos três meses anteriores. Além disso, foi verificado recorde no rendimento dos trabalhadores. 

As informações fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta quinta-feira (30) pelo IBGE.

“A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento, seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano, seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporários nas atividades de educação e saúde no setor público municipal”, explica Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE. 

Considerando esse movimento, a Pnad apontou que o total de trabalhadores do país ficou em 102 milhões, recuo de 1% (1 milhão de trabalhadores) no trimestre, mas permanecendo 1,5% (1,5 milhão) acima do contingente registrado no mesmo trimestre móvel de 2025.

Dessa forma, a população desempregada ficou em 6,6 milhões no período analisado, com alta de 19,6% (1,1 milhão de pessoas) no trimestre. No entanto, na comparação anual, o contingente de pessoas procurando trabalho recuou 13% (menos 987 mil pessoas).

Recorde nos rendimentos

Os salários da classe trabalhadora tiveram trajetória positiva, segundo a Pnad. A massa de rendimento médio real (a soma das remunerações de todos os trabalhadores) bateu recorde no primeiro trimestre, com R$ 374,8 bilhões. O valor indica estabilidade nesses três meses e alta de 7,1% (ou mais R$ 24,8 bilhões) no ano.

Observando rendimento médio real habitual dos trabalhadores, houve  novo valor recorde, atingindo R$ 3.722. O valor indica crescimento nas duas comparações: 1,6% no trimestre e 5,5% no ano, já descontada a inflação nos dois períodos. 

Frente ao trimestre móvel anterior, houve aumento no rendimento médio de dois dos dez grupamentos de atividade estudados: comércio (3%, ou mais R$ 86) e administração pública (2,5%, ou mais R$ 127). Os demais grupamentos não apresentaram variação significativa.

Conforme analisa a pesquisadora, “o rendimento cresceu em atividades que reduziram a participação em seus contingentes de trabalhadores informais ou de formais com menores rendimentos. Dessa forma, relativamente à base de comparação trimestral com maior participação de ocupação informal, a média de rendimento do trabalho atual registrou alta”.

Menor informalidade

O IBGE também verificou redução, ainda que leve, na taxa de informalidade, que passou de 37,6% (38,7 milhões de pessoas) para 37,3% (38,1 milhões). Frente ao primeiro trimestre de 2025, o recuo foi maior, já que naquele momento a taxa era de 38% (38,2 milhões).

O número de trabalhadores sem carteira no setor privado recuou 2,1% (menos 285 mil pessoas) no trimestre, chegando a 13,3 milhões. Na comparação anual, esse indicador não teve variação estatisticamente significativa.

Já os trabalhadores com carteira assinada no setor privado (excluindo-se os domésticos) somaram 39,2 milhões, “indicando não ter havido variações significativas no trimestre, mas com elevação de  1,3% (ou 504 mil pessoas a mais com carteiras assinadas) no ano”, segundo o IBGE. 

Quanto aos trabalhadores por conta própria, o contingente manteve-se estável em 26 milhões de pessoas, com alta de 2,4% (607 mil). 

Recorte por segmento

Analisando os segmentos econômicos, a pesquisa apontou que dois grupamentos tiveram aumentos no contingente de ocupados frente ao mesmo trimestre do ano passado: informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (3,2%, ou mais 406 mil pessoas) e administração pública (4,8%, ou mais 860 mil pessoas). Nessa comparação anual, houve redução apenas no grupamento de serviços domésticos (3,6%, ou menos 202 mil pessoas).

Refletindo as características típicas do período, conforme apontado pela coordenadora do IBGE, as reduções de emprego ocorreram em três frentes: comércio (1,5%), administração pública (2,3%) e serviços domésticos (2,6%). Na comparação trimestral, esses grupos tiveram 870 mil postos a menos.