O presidente Lula durante cerimônia de anúncios relacionados à infraestrutura de produção de insumos e imunobiológicos no Auditório do Centro Administrativo do Butantan. São Paulo | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Resultados do estudo com a vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Butantã, reforçam a importância de investimento estatal em Ciência, Tecnologia e Inovação. Nesta quinta-feira (05, o Instituto Butantan divulgou os resultados do ensaio clínico de fase 3 da vacina tetravalente Butantan-DV, produzida pelo Instituto, que mantém eficácia de 80,5% por um período de cinco anos contra casos graves de dengue e com sinais de alarme (desfecho combinado). 

O estudo, publicado na prestigiada revista científica “Nature Medicine”, acompanhou quase 17 mil pessoas no Brasil, conduzido em 16 centros de pesquisa distribuídos pelas cinco regiões do Brasil,  e confirmou que a proteção mantém alta proteção contra quadros severos. 

O estudo considerou dados coletados entre fevereiro de 2016 e julho de 2019 com 16.235 participantes, com idades entre dois e 59 anos. Do total, 10.259 receberam a dose única da vacina e 5.976 receberam placebo. Entre o grupo que recebeu a Butantan-DV, não houve nenhum registro de internação, já o grupo de controle, os que receberam placebo, registrou oito casos. 

De acordo com o estudo, no que diz respeito à eficácia geral para prevenir a dengue sintomática (causada por qualquer sorotipo), o imunizante atingiu a marca de 65% durante os cinco anos de monitoramento.

“Os dados publicados recentemente na Nature confirmam a eficácia da Butantan-DV contra casos de dengue sintomática e, principalmente, contra casos de dengue grave e com sinais de alarme. Esta vacina se consolida como uma ferramenta de grande importância no combate à dengue no Brasil, com potencial para contribuir para a diminuição da circulação do vírus, para além da proteção individual”, afirma a diretora médica de Ensaios Clínicos do Butantan, Fernanda Boulos.

A vacina Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim de novembro de 2025, para ser utilizada pela população brasileira de 12 a 59 anos. Desde então, o Instituto Butantan já enviou 1,3 milhão de doses para o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que as distribui ao Sistema Único de Saúde (SUS). 

O Ministério da Saúde começou a vacinação em janeiro deste ano em Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), por meio de um projeto piloto que visa imunizar 90% do público-alvo destas cidades. Atualmente o imunizante está disponível para profissionais da Atenção Básica em Saúde.

No início de fevereiro (09), o governo Lula anunciou um aporte de R$ 1,4 bilhão destinado à infraestrutura e à produção de vacinas e insumos imunobiológicos do Instituto Butantan, na capital paulista, a partir dos recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O Instituto Butantan também fará um aporte de R$ 400 milhões para a expansão e modernização do complexo.

“Enquanto eu tiver possibilidade de ajudar, não faltará dinheiro para a pesquisa, nem no Butantan e nem em outro instituto de pesquisa desse país”, disse o presidente Lula, na cerimônia que anunciou o investimento. 

O presidente ainda alertou sobre as fake news que tentam desacreditar a importância da vacinação e ressaltou que é preciso convencer a sociedade a voltar a tomar vacinas “como era antigamente”.

Fonte: Página 8