A Indústria Nacional e a Revolução 4.0.

Já é do conhecimento, não só do meio acadêmico, mas também do movimento operário e sindical, que estamos já há alguns anos em um novo processo de desenvolvimento científico e industrial denominado como a quarta revolução industrial, ou, a revolução 4.0. Esse termo surgiu na feira de Hannover, na Alemanha em 2011.

Por Marcelo Toledo*

Em sua essência, a revolução 4.0 difere das anteriores, pois faz uma fusão de tudo o que foi desenvolvido até hoje e interagem os domínios físico, digital e biológico. Outro aspecto é a sua velocidade no desenvolvimento e na aplicabilidade no mundo do trabalho, no mundo do valor global. Apenas para comparação – a primeira revolução Industrial levou mais de cem anos para sair da esfera Europeia, a Internet levou menos de uma década para atingir o mundo.

Do ponto de vista Marxista, não é necessário irmos muito longe para detectarmos os reflexos dessa revolução industrial, ao qual apenas uma pequena parcela terá acesso a esse avanço tecnológico, sendo que a maioria da humanidade ficará à margem dos benefícios desses avanços científicos. Só é possível pensar em uma indústria nacional, se for levado em consideração esse processo em desenvolvimento da Revolução 4.0.

A Tese apresentada ao 14º Congresso do Partido Comunista do Brasil em seu item 21 apresenta com clareza essa questão, no qual, salienta e evidencia a necessidade da luta pelo socialismo.

A defesa da indústria nacional, parte do principio da defesa do Estado Nacional, em contraponto, à política de dominação imperialista estadunidense, não só para o Brasil, mas para toda a América Latina, fundamentalmente.

  1. Outra questão fundamental é a relação de uma politica industrial, com o nível de desenvolvimento dos avanços da tecnologia aplicada nos processos produtivos.
  2. O Brasil sem uma clara e profunda compreensão dessa necessidade corre o risco de ser uma nação extremamente pobre e miserável do ponto de vista socioeconômico, como também do ponto de vista de ser um Estado soberano.
  3. Um País que não leva em consideração o atual estágio de desenvolvimento econômico mundial, da globalização da economia, das disputas do mercado mundial pelas grandes corporações capitalistas internacionais, está fadado a ser unicamente um País submisso aos interesses de dominação de outras nações mais desenvolvidas e, um país exportador de matéria prima, ou seja, do processo primário da produção de mercadorias, de commodities, produtos de baixo valor agregado.
  4. Nesse sentido, um país para se colocar a altura das grandes transformações ocorridas incessantemente ao longo do tempo, precisa ter uma indústria nacional fortalecida e, uma politica industrial que leve em consideração o fortalecimento da classe trabalhadora como um todo, com o seu desenvolvimento intelectual, social e econômico. Trabalhadores com baixa formação, não produzem mercadorias com altos valores agregados.
  5. Falar da indústria nacional, sem levar em consideração um olhar estratégico, sem olhar para o futuro, é o mesmo que tentar plantar arroz na areia do deserto.
  6. A quarta Revolução Industrial, trás em seu conteúdo, um processo devastador de tudo o que temos hoje, do ponto de vista, por exemplo, das atuais profissões. Daqui a 30 anos, ou menos, poderá ser extinto 80% das atuais profissões, reflexo direto das novas tecnologias aplicadas ao processo de produção de mercadorias.
  7. A mudança na base econômica mudará toda a sociedade, pois, as superestruturas das sociedades é o reflexo direto das infraestruturas, esse é um conceito Marxista, ou seja, o pensamento da sociedade é o reflexo da base econômica estabelecida.
  8. Entretanto, essas mudanças não mudarão as relações de produção, elas continuarão a ser de caráter capitalista, de exploração da mais-valia, da força de trabalho.
  9. Nesse sentido, esse processo da Revolução 4.0 será inevitavelmente o aumento do desemprego e da miséria de milhões e milhões de pessoas em todo o mundo.
  10. Segundo, Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial em seu livro – A quarta revolução industrial, afirma que: “hoje temos 1,3 bilhões de pessoas sem acesso à 2ª Revolução Industrial – a eletricidade. Quatro bilhões de pessoas, não tem acesso à 3ª Revolução Industrial- a Internet”.
  11. Esse processo de transformação no mundo do trabalho tem em sua essência o aumento da exploração da mais-valia visando o lucro máximo. Essa realidade põe em evidencia que o processo de desenvolvimento da ciência e da tecnologia nos marcos das relações capitalistas de produção, é um processo absolutamente excludente, esse processo aprofunda ainda mais as desigualdades sócias em todas as esferas da vida social, econômica e política.
  12. Citando apenas algumas dessas novas tecnologias abrangendo várias áreas como: inteligência artificial, robótica, a internet das coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, nanotecnologia, biotecnologia, ciências dos materiais, armazenamento de energia e computação quântica, e ainda segundo o fundador e Presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, em seu livro – a quarta Revolução Industrial, Diz “Muitas dessas inovações estão apenas no início, mas já estão CHEGANDO A UM PONTO DE INFLEXÃO DE SEU DESENVOLVIMENTO, pois, elas constroem e amplificam umas às outras, fundindo as tecnologias dos mundos físicos, digital e biológico.” Diz ainda- “ As mudanças são tão profundas que, na perspectiva da história humana, nunca houve um momento tão potencialmente promissor ou perigoso.”
  13. A compreensão necessária desse processo é que as novas tecnologias sob o manto das relações capitalista não vem para melhorar as condições de vida das pessoas, e sim com o propósito de aumentar a extração da mais valia relativa, fundamentalmente. O reflexo disso nós sabemos- mais desemprego estrutural, mais misérias para a maioria expressa da humanidade.
  14. Uma política para o desenvolvimento da indústria nacional deve levar em consideração um conjunto de questões que envolva um amplo aspecto da sociedade como um todo, por exemplo, o desenvolvimento do conteúdo educacional nas universidades para o desenvolvimento de pesquisas científicas direcionadas para o mundo do trabalho, para o processo produtivo; Uma política equilibrada do Câmbio; Uma política de incentivo a indústria nacional. Isso significa dizer que o Estado brasileiro, não pode economizar em recursos para esse fim.

*Metalúrgico