Xi Jinping defende união de todos para enfrentar o desafio ambiental

Xi Jinping se comprometeu com energia renovável em níveis crescentes

(Xinhua)

“O unilateralismo não vai nos levar a nenhum lugar”, pois a questão climática exige a participação de todos, afirmou o presidente da China, Xi Jinping, ao se dirigir à Cúpula da Ambição Climática, encontro preparatório para a Conferência sobre Mudanças Climáticas de 2021 da Organização das Nações Unidas (ONU), marcado para o Reino Unido.

Xi destacou que os desafios apresentados para a defesa do meio ambiente exigem a colaboração de todos os países, uma referência aos governos que atuam com base no negacionismo acerca dos problemas ambientais, a exemplo do Brasil e dos EUA, este último exacerbando sua atitude beligerante com relação à China.

O evento realizado virtualmente contou com a organização cooperada da ONU, Inglaterra e França e reuniu líderes de 80 países.

O Brasil fica de fora do encontro preparatório para a Conferência que se realizará aos cinco anos da assinatura do Acordo do Clima de Paris (por 196 países) devido à apresentação de propostas que significaram um retrocesso em termos de metas de redução de gases que provocam efeito estufa.

Nosso país, apesar de ser um dos signatários do Acordo de Paris, e após ter se destacado quando o Rio de Janeiro foi sede da conferência mundial sobre as questões ecológicas, a ECO-92, agora apresenta, depois de 30 anos, uma posição desfavorável aos seus compromissos, pois retroagiu de sua meta de avanço na descarbonização até 2060. Segundo a proposta, o Brasil emitiria mais gases que provocam o efeito estufa em 2030 do que o previsto, 400 milhões de toneladas a mais.

O governo Bolsonaro é visto mundialmente como responsável pelo crescimento desenfreado do desmatamento na Amazônia, tendo milhares de hectares de florestas destruídos. Bolsonaro tem ignorado a todos os apelos da comunidade internacional e seu Ministério do Meio Ambiente mostra-se conivente e até acoberta os autores dos crimes de desmatamento da floresta.

A China fez um anúncio em setembro que surpreendeu a todos na cúpula, sendo o país de maior emissão de gases do mundo, se comprometeu com a descarbonização no médio prazo, por meio de programas de eficiência energética e aumento da eletricidade gerada por meio de fontes renováveis, como eólica e solar, em um montante de 1,2 bilhões de quilowatts, representando 25% de toda a energia elétrica consumida, até 2030. Essas transformações significam que o país estará, em 2030, com 65% do ano de 2005. Também se comprometeu com aumento da cobertura florestal do país.

O secretário-geral da ONU, Antônio Gutierres comemorou os compromissos que foram assumidos, mas não deixou de alertar que essas medidas não são suficientes para aplacar o gravíssimo problema. Em seu discurso fez um apelo que todos entenderam como menção velada a países como Brasil e Estados Unidos: ”Precisamos parar o ataque sobre o planeta”.

Sem nenhum estudo que o justifique, Bolsonaro pede a ajuda de 10 bilhões, alegando que a verba seria destinada a proteger a Floresta Amazônica. Os recursos entregues ao país seriam uma espécie de compensação por prestar serviços de proteção ao meio ambiente que, na verdade, está destruindo.

Cientistas da organização Climate Action Tracker (Monitoramento da Mudança Climática) requalificaram o grau de comprometimento do Brasil na preservação ambiental, rebaixando o Brasil que assim desce do grupo de países “insuficientes”, para “muito insuficientes”.

Segundo o correspondente da Rádio França Internacional (RFI) em São Paulo, Martin Bernard, foram autorizados a falar no evento representantes de 80 países, esses apresentaram seus objetivos na luta contra as mudanças climáticas.

Estados Unidos, com o governo Trump, se retirou do acordo de Paris em 2017, atitude que o presidente eleito, Joe Biden, se compromete a reverter. Além do Brasil ficaram de fora do evento EUA, México, Indonésia e Austrália.