Unicef: uma em cada dez crianças não deverá voltar às aulas no Brasil

A symbolic picture of school backpacks at the Yantala school in Niamey, the capital of Niger. We are facing a global education crisis due to COVID-19. Schools for 168 million students have been closed for almost a year due to the pandemic. These children can’t go another day out of the classroom. For every child education.

Em vários estados do país, cerca de 3 em cada 4 alunos da 2ª série estão fora dos padrões de leitura, informou relatório do órgão internacional.

Estamos enfrentando uma crise global de educação devido à covid-19. As escolas para 168 milhões de alunos estão fechadas há quase um ano devido à pandemia. Essas crianças não podem ficar mais um dia fora da sala de aula.

Relatório global divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta segunda-feira (24), Dia Internacional da Educação, aponta que 1 em cada 10 crianças de 10 a 15 anos não planeja voltar a estudar quando as escolas reabrirem, por conta da covid-19, no Brasil.

Em vários estados brasileiros, ainda segundo o relatório, cerca de 3 em cada 4 crianças da 2ª série estão fora dos padrões de leitura — no pré-pandemia, o índice era de 1 em cada 2 crianças. Com isso, o índice subiu de 50% para 75%.

Dados detalhados do estado de São Paulo demonstram a erosão do progresso da aprendizagem durante o encerramento das escolas. Em média,
os alunos aprenderam apenas 28% do que teriam em aulas presenciais e o risco de evasão aumentou mais três vezes. Os exames estaduais de São Paulo em 2021 mostram perdas de aprendizado em todos os níveis, com as coortes de 2021 pontuando abaixo da coorte de 2019 em todas as séries, com perdas maiores para alunos mais jovens.

A Figura 5a ilustra a trajetória de aprendizagem para alunos da quinta série em português, enquanto a Figura 5b mostra matemática. Esses resultados são particularmente impressionantes, pois ilustram como o choque eliminou uma década ou mais de progresso de aprendizagem constante.

São Paulo: Cronograma para alunos do 5º ano em Matemática, Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) vs. avaliação de amostra

São Paulo: Cronograma para alunos do 5º ano em Letras, Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) vs. avaliação amostral em São Paulo

Quase dois anos após o início da pandemia, o impacto generalizado da covid-19 continua a se aprofundar, aumentando a pobreza e consolidando a desigualdade. Enquanto alguns países estão se recuperando e se reconstruindo em um ‘novo normal’, para muitos, a covid-19 continua sendo uma crise. Os direitos humanos de todas as crianças estão ameaçados em um grau que não foi visto em mais de uma geração. A resposta global até agora tem sido profundamente desigual e inadequada.

“Em março, marcaremos dois anos de interrupções relacionadas ao COVID-19 na educação global. Muito simplesmente, estamos olhando para uma escala quase insuperável de perda na escolaridade das crianças”, disse Robert Jenkins, chefe de educação do UNICEF.

“Embora as interrupções no aprendizado devam terminar, apenas reabrir as escolas não é suficiente. Os alunos precisam de apoio intensivo para recuperar a educação perdida. As escolas também devem ir além dos locais de aprendizagem para reconstruir a saúde mental e física das crianças, o desenvolvimento social e a nutrição”.

Em países de baixa e média renda, as perdas de aprendizado devido ao fechamento de escolas deixaram até 70% das crianças de 10 anos incapazes de ler ou entender um texto simples, acima dos 53% registrados antes do coronavírus se espalhar pelo mundo.

Na Etiópia, por exemplo, é estimado que as crianças da escola primária tenham aprendido de 30% a 40% da matemática que teriam aprendido se fosse um ano letivo normal.

Na África do Sul, as crianças em idade escolar estão um ano letivo completo atrás do que deveriam. Cerca de 400 mil a 500 mil alunos abandonaram a escola entre março de 2020 e julho de 2021.

De acordo com o órgão, as consequências do fechamento de escolas estão aumentando. Além da perda de aprendizado, o “fechamento das escolas afetou a saúde mental das crianças, reduziu seu acesso a uma fonte regular de nutrição e aumentou o risco de abuso”.

“Um crescente corpo de evidências mostra que a covid-19 causou altas taxas de ansiedade e depressão entre crianças e jovens, com alguns estudos descobrindo que meninas, adolescentes e pessoas que vivem em áreas rurais são mais propensas a ter esses problemas”, informou a Unicef.

Fontes:

https://en.unesco.org/covid19/educationresponse

Relatório sobre o estado da crise global da educação

National Income Dynamics Study (NIDS) – Coronavirus Rapid Mobile Survey (CRAM) Onda 5 e Departamento de Educação Básica.

(por Cezar Xavier)