Secretários falam dos desafios dos municípios frente à pandemia

A segunda mesa do seminário virtual “Desafios dos novos governos municipais, dos vereadores e vereadoras”, realizada na sexta-feira (5), abordou o tema “Covid, desemprego, volta às aulas: como enfrentar os primeiros meses nas prefeituras e câmaras municipais?”. Realizado pela secretaria nacional de Relações Institucionais do PCdoB e a secretaria de Políticas Públicas da Fundação Maurício Grabois, o evento reuniu participantes de todas as regiões do país.

O evento teve início com o secretário estadual de Educação da Bahia, Jerônimo Rodrigues. Ele defendeu que “é preciso ter uma atenção especial à educação, principalmente nesse momento de pandemia”, considerando os desafios impostos pela Covid para a retomada de atividades presenciais que, neste momento, se mostram inviáveis, e a atenção aos alunos.

Jerônimo destacou que o principal desafio neste momento é o da unidade. “Não podemos abrir mão disso, do que chamamos de um regime de colaboração”, explicou, apontando como fundamental o diálogo com os conselhos municipais de educação, agentes de saúde, da ação social, grêmios estudantis, movimentos de professores e sociedade. Nesse sentido, apontou que outro desafio para o campo da esquerda “é reaprender a dialogar com movimentos sociais”.

Preservar a vida

Carlos Lula, secretário de Saúde do Maranhão e presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) lembrou que o “governo federal resolveu não enfrentar a pandemia” e criticou a falta de empenho e planejamento para a aquisição de vacinas.

Carlos pontuou que o descaso generalizado por parte de Bolsonaro e sua equipe levou a uma situação na qual o país nem preservou a economia, nem a vida. “O único meio de salvar a economia é controlar a Covid”, disse. Para isso, colocou, “precisamos, neste momento, vacinar em larga escala e não estamos fazendo isso”. Ele alertou que os meses de março e abril tendem a ser ainda piores dos que os primeiros meses deste ano.

Ele defendeu, entre outras questões que, quando for o momento, a retomada das aulas presenciais  deve ser uma construção responsável, com a definição de critérios objetivos e protocolos sanitários capazes de garantir segurança em sala de aula. Também destacou que é preciso garantir meios para adequar o material pedagógico à nova realidade,  garantir as atividades remotas e buscar formas de manter o vínculo do aluno com a escola.

O secretário ressaltou, ainda, a importância de os municípios e estados, mesmo que com limites orçamentários, contribuírem com políticas sociais, de assistência e de geração de renda. “Não dá para escolher entre fome e doença, é preciso considerar as duas questões na tomada de decisão nos municípios”.

Emprego e renda

Davidson Magalhães, secretário de Trabalho e Renda da Bahia, traçou um panorama da situação econômica brasileira, mostrando como a crise e a pandemia afetaram a população, aumentando o desemprego e a miséria. Especialmente em contextos como este, disse, “a primeira porta que o cidadão bate é a do vereador e do prefeito, porque é ali, no município, que se dá o choque direto com a realidade, é onde o calo dói”.

Ele salientou que o país vive um cenário de “tempestade perfeita”, com a combinação do empobrecimento do povo, inflação, crise sanitária grave e falta de um governo central que enfrente essas situações. Para ele, é urgente liderar a luta pela vacina,  pela contenção da pandemia e pelo auxílio emergencial.

Davidson também enfatizou a importância de os municípios assumirem o protagonismo na geração de emprego e renda. E isso passa por fazer fazer um diagnóstico da realidade municipal; fortalecer o mercado local; implementar política de qualificação e de apoio ao empreendedorismo; incentivar e estruturar uma política de microcrédito e viabilizar programas de economia solidária e criativa.

O secretário lembrou que “Bolsonaro quer passar a responsabilidade pela crise e pela pandemia aos municípios e estados”, por isso, é preciso “estar com o povo e mostrar que essa tragédia anunciada que vivemos tem nome: Bolsonaro e seus apoiadores”.

 

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Por Priscila Lobregatte