Rússia inicia saída do Tratado de Céus Abertos, após retirada dos EUA

"Notamos com pesar que os aliados dos EUA não apoiaram as propostas", disse a porta-voz, Maria Zakharova.

(Reprodução Wikipedia)

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia anunciou o início do processo de retirada do Tratado de Céus Abertos, depois da saída dos Estados Unidos em novembro passado e na impossibilidade de obter dos países europeus e Canadá, que continuaram signatários, garantias de que os dados do sobrevoo do território russo não seriam entregues a Washington.

“O Ministério das Relações Exteriores russo anuncia oficialmente o início dos procedimentos internos para a retirada do país do Tratado de Céus Abertos” , disse a instituição em um comunicado.

Assinado em 1992, o Tratado de Céus Abertos, permite que observadores militares realizem voos mútuos de vigilância aérea para obter imagens de movimentos de tropas e navios sobre um vasto território, desde a cidade canadense de Vancouver até o porto de Vladivostok, no Extremo leste russo. Atualmente, o acordo reúne 31 países europeus, mais a Turquia e o Canadá.

Depois que Washington bateu a porta, Moscou pediu aos países europeus, muitos deles membros da OTAN , garantias vinculativas de que não entregariam os dados obtidos durante os voos de inspeção aos americanos. “Notamos com pesar que os aliados dos EUA não apoiaram as propostas”, enfatizou a porta-voz, Maria Zakharova.

O sigilo de dados obtidos em sobrevoo a terceiras partes é uma das cláusulas essenciais do acordo. Antes de abandonar o Tratado de Céus Abertos, o governo Trump já retira os EUA do principal tratado de prevenção da guerra nuclear no teatro europeu, o Tratamento dos Mísseis Nucleares Intermediários, e o único tratado que restou da arquitetura de segurança estratégica internacional, o START III, está a dias de expirar.

“Washington, de acordo com várias fontes, durante contatos com aliados europeus exigiu que se comprometessem a compartilhar dados de vigilância no território da Rússia”, denunciou Zakharova.

Para a porta-voz, esta é uma situação “absolutamente inaceitável” para Moscou, já que, de fato, todos os membros da OTAN teriam a oportunidade de observar todo o território da Rússia, enquanto o território do líder da aliança, Estados Unidos, ficaria fechado à vigilância russa.

De acordo com o Tratado, é proibido compartilhar as informações obtidas com nações fora do acordo.

A diplomacia russa lamentou a falta de progressos para eliminar os obstáculos à preservação do ‘Céus Abertos’ nas novas condições. Como sublinhou a porta-voz, “a orientação política aos Estados Unidos” acabou sendo mais importante para os países europeus do que a possibilidade de manter um instrumento importante para “a segurança de toda a Europa”.

Segundo a diplomata, Washington também evitou dar uma resposta direta em todos os momentos, o que “aparentemente representou um adiamento artificial dos acontecimentos”.