Apoio ao fundador do WikiLeaks: “Jornalismo não é crime. Não à extradição de Assange!"

Frente à brutal injustiça e diante da eclosão de um surto de pandemia de coronavírus na prisão de Belmarsh, em Londres, o relator da Organização das Nações Unidas (ONU) Contra a Tortura, Nils Melzer, solicitou na última terça-feira (8) a imediata libertação do fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

Sofrendo de graves problemas respiratórios, o jornalista e ativista australiano não pôde sequer comparecer – em pessoa ou por videoconferência – à sua última audiência para conhecer a decisão judicial sobre a sua extradição aos Estados Unidos.
Assange está sendo perseguido por ter divulgado ao mundo centenas de milhares de páginas de documentos com crimes de guerra e abusos de direitos humanos cometidos pelos Estados Unidos no Iraque, no Afeganistão e em Guantánamo, o que, para Trump, agora devem ser retribuídos com 175 anos de cadeia.

Ampliando a pressão pela sua libertação, no marco do Dia Internacional dos Direitos Humanos, nesta quinta-feira (10), movimentos sociais e entidades populares reforçaram a campanha em solidariedade planetária ao jornalista. Entre outras atividades houve concentrações em frente às delegações diplomáticas e foi enviada uma carta aberta às Embaixadas do Reino Unido.

“Assange não é um criminoso e não representa nenhuma ameaça para ninguém. Diante disso, seu isolamento prolongado em uma prisão de alta segurança não é necessária, nem proporcional, carecendo claramente de fundamento legal”, afirmou Nils Melzer.

O relator da ONU expressou particular preocupação em relação “à exposição de Assange à Covid-19 levando em conta a sua condição médica preexistente”. O jornalista está recluso na Guantánamo britânica desde maio do ano passado, onde 65 dos 160 internos da prisão deram positivo à coronavírus.

Os dez anos de privação de liberdade do fundador do WikiLeaks – incluídos os sete que passou refugiados na Embaixada do Equador em Londres -, assinalou Melzer, “não são somente uma detenção arbitrária, mas que podem supor também tortura e outros tratamentos ou castigos cruéis, desumanos ou degradantes”.

Faltando um mês para que o Reino Unido emita uma decisão sobre a extradição do fundador de WikiLeaks aos EUA, Melzer também defendeu a liberdade e a integridade de Assange, uma vez que naquele país também são verificados “graves problemas de direitos humanos”.

Além disso, apontou Melzer, a alegação é que Assange está “atualmente, detido para fins exclusivamente preventivos, para assegurar a sua presença durante o julgamento em curso sobre o pedido de extradição norte-americano, um processo que poderá durar vários anos”. Anos.

Os organizadores da campanha pela libertação imediata do ativista também repudiaram o abuso britânico. “O mundo inteiro está vendo como Assange está sendo tratado pelo governo do Reino Unido. É hora de pôr fim à perseguição contra Assange, agora. Assange deve ser libertado!”, reiteram.

FRENTE PELA LIBERDADE

Cerca de 160 chefes e ex-chefes de Estado, primeiros-ministros, ministros, diplomatas e parlamentares também se somaram à campanha em defesa de Assange. Entre os signatários estão Alberto Fernández, presidente da Argentina; José Mujica, ex-presidente do Uruguai; José Luis Zapatero, ex-primeiro-ministro espanhol; Jeremy Corbyn, ex-líder do Partido Trabalhista britânico; Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz 1980; Nick McKim, senador australiano; Peter Whish-Wilson, senador australiano; Ron Paul, ex-congressista norte-americano; Jean-Louis Masson, senador francês; Cédric Wermuth, parlamentar suíço; José Miguel Insulza, ex-secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA); Ernesto Samper, ex-secretário-geral da Unasul; e Rafael Correa, que, como presidente do Equador, concedeu asilo a Assange na embaixada em Londres.

O fundador do WikiLeaks esteve refugiado durante sete anos na Embaixada do Equador em Londres, de 2012 até abril de 2019, momento em que o governo de Lenin Moreno sucumbiu às pressões de Washington, retirou o direito de asilo e possibilitou a prisão de Assange.