Rejeição a Bolsonaro vai a 62% após casos de corrupção, diz pesquisa

Presidente Jair Bolsonaro participa da cerimonia de aberturado Forum: Controle no Cambatre à corrupção 2020, com a presença do Procurador-Geral Augusto Aras, Wagner Rosário (CGU), André Mendonça (Justiça), Braga Netto (Casa Civil), Jose Múcio (TCU) Sérgio Lima/Poder360 09-12-2020

A rejeição ao governo Jair Bolsonaro disparou com as denúncias de corrupção na compra de vacinas anti-Covid. Levantamento do instituo Atlas Político, divulgado nesta sexta-feira (30) pelo El País, aponta que 62% dos brasileiros reprovam a gestão bolsonarista. Apenas 36% aprovam o governo.

Desde o início dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, instalada em abril no Senado, a rejeição ao governo saltou cinco pontos. Partiu da CPI o maior volume de acusações envolvendo o Ministério de Saúde – algumas, supostamente, com o conhecimento do próprio Bolsonaro.

“A gestão da pandemia e as suspeitas de corrupção na compra de vacinas contra a Covid-19 mantêm o desgaste do presidente”, resume El País, que divulgou a pesquisa. “A Comissão Parlamentar apontou irregularidades em contratos de compra de vacinas, como a indiana Covaxin, e suspeitas de pedidos de propina em outras negociações que atingem inclusive militares que ocupavam cargo no Ministério da Saúde.”

Segundo o cientista político Andrei Roman, CEO do Atlas, a popularidade de Bolsonaro está em queda desde o início de 2021, devido ao noticiário predominantemente negativo sobre o governo. Além do auge da pandemia em abril – com taxas recordes de casos e mortes por Covid-19 –, “há, ainda, os problemas da vida cotidiana”, como “o impacto econômico da pandemia, com os brasileiros desempregados, a renda menor. E milhares de brasileiros que perderam alguém querido para pandemia”, diz Roman.

Com tamanho desgaste, Bolsonaro não teria chances de vitória se as eleições presidenciais fossem hoje. Em cenários projetados de segundo turno, o presidente perderia hoje para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (49,2% a 38,1%), os ex-ministros Ciro Gomes (43,1% a 37,7%), Luiz Henrique Mandetta (42,9% a 37,5%) e Fernando Haddad (41,9% a 38,4%). Numericamente, o governador paulista João Doria também está à frente de Bolsonaro (40,6% a 38,1%), mas dentro da margem de erro.

De acordo com Andrei Roman, “a tendência é de fortalecimento de Lula. Desde o início do ano, Lula vem numa trajetória constante de crescimento”. O ex-presidente viu sua rejeição cair de 60% em maio para 54% em julho. Ciro tem 50% de rejeição.

Segundo a pesquisa Atlas, 70% dos eleitores que votaram em Bolsonaro continuam aprovando seu governo. Porém, sua popularidade sobrevive em poucos nichos, como os evangélicos, que dão 52% de aprovação ao presidente e 45% de reprovação.

No eleitorado católico, a situação se inverte: 69% rejeitam o presidente e 29% o apoiam. Já na divisão por renda, Bolsonaro tem rejeição maior que 50% em todas as faixas. Os eleitores do Nordeste são os mais críticos ao presidente: 73% o reprovam, oito pontos a mais que os 65% de rejeição ao governo no Sul.

A pesquisa Atlas Político entrevistou 2.884 pessoas, pela internet, de realizado de 26 a 29 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Com informações do El País