Plano de Ação, Resistência e Luta é aprovado no Conselho da CTB

O fornecimento de energia elétrica foi interrompido no final da plenária do 3º Conselho Nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) realizada neste sábado (14), em Brasília, resultado de um temporal que caiu sobre a cidade na véspera, mas a votação do Plano de Ação, Resistência e Luta da entidade para 2020 seguiu firme: com espírito de união revigorado depois de dois dias de Conselho, os participantes acenderam as lanternas dos celulares e garantiram a iluminação de modo coletivo.

Por Lívia Duarte

Entre os principais itens aprovados pelos 172 delegados e delegadas, de 17 estados do país, está o processo de integração da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) na CTB, a ser concluída no 5º Congresso Nacional da CTB, a realizar-se em 2021. O processo será conduzido pelo conselho político desta Central. Representantes da CGTB, como Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, presidente da entidade, participaram do Conselho. Bira elogiou o encontro por ter permitido a discussão política da conjuntura e por ter demonstrado grande coesão entre os delegados.

Plenária com luzes das lanternas dos celulares

“Um dos aspectos centrais foi a defesa de unir o povo numa ampla frente política ampla para derrotar o fascismo e a ditadura que Bolsonaro quer impor”, avaliou o dirigente, que também comentou o indicativo de união entre as centrais: “Não se trata apenas de somatórias de sindicato. São somatórias de histórias de luta anti-imperialista, luta pela democracia, luta em defesa do legado de Getúlio Vargas, a CLT, os direitos trabalhistas, as estatais estratégicas. Então, a união vai coroar esse processo e vai ser uma força de atração do movimento sindical. E conseguindo isso acho que vamos ajudar muito a classe operária, o povo brasileiro, e derrotar a política neoliberal que destrói a vida das pessoas e prejudica a nação”, concluiu

Presidente da CTB, Adílson Araújo

Para o presidente nacional da CTB, Adílson Araújo, “a indicação da fusão é uma celebração que vai ser evidentemente construída no local de trabalho, no chão da fábrica, porque nós queremos chegar ao nosso 5º Congresso, em 2021, celebrando essa unidade”.

O dirigente afirmou confiar, inclusive, na possibilidade de ir além: “A gente acredita que pode ser até além da fusão CGT-CGTB, porque também temos grande disposição de convidar as outras centrais sindicais e fazer frente ao desafio de levar a nossa contribuição. O Brasil reclama um novo projeto nacional de desenvolvimento. Esse é o grande desafio do sindicalismo do século 21″, destacou. Além de celebrar a união entre as centrais, Adílson ressaltou que o momento é de comemorar os 12 anos de atividade da CTB.

Ação

O Plano de Ação, Resistência e Luta aprovado por unanimidade foi construído pelos trabalhadores num momento “hostil aos interesses do povo”, como define o documento, que lembra o desmonte da legislação trabalhista com a reforma aprovada ainda no governo golpista de Temer e de mudanças que vem sendo encaminhadas por Bolsonaro, bem como pela fragilização da Justiça do Trabalho e dos sindicatos.

Para fazer frente a este momento histórico, foram definidos 26 pontos que incluem desde a defesa da democracia e da soberania nacional e do Artigo 8º da Constituição, que trata da unicidade sindical, até o apoio a políticas de valorização do trabalho e geração de novos postos de emprego.

As propostas passam também pelo fortalecimento dos sindicatos e da CTB a partir de medidas para conscientização e politização dos trabalhadores, melhorias na gestão financeira e administrativa das entidades e fomento da comunicação, entre outras. O plano prevê, ainda, a participação nas eleições municipais de 2020, apoiando candidatos progressistas, “como oportunidade preciosa para o debate e conscientização social, bem como para acumular forças e potencializar as lutas em defesa de um novo projeto nacional de desenvolvimento, fundado na democracia, na soberania e na valorização da classe trabalhadora”.

“Não podemos assistir de forma apática ao retrocesso civilizatório [que é a agenda que se impõe desde o golpe contra Dilma]. Nosso conselho sinaliza no sentido de aprovar um plano de ação. Qual plano de ação? O que nos permite nos aproximar mais do chão da fábrica, dos locais de trabalho”, defendeu Adílson Araújo.

Para ele, está entre os desafios para o sindicalismo do século 21 incluir até mesmo os trabalhadores desempregados e com emprego precarizado, além dos jovens. Neste sentido, foi aprovada a criação da CTB Jovem, que buscará incorporar a juventude na luta sindical classista.

Crescimento das mulheres

A secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, Celina Arêas, sublinhou a ampliação da participação feminina no 3º Conselho Nacional da CTB. Segundo ela, em oportunidades anteriores, a participação não passava de 30% e hoje, “apesar das dificuldades que estamos vivendo, financeira, de participação política”, 40% eram delegadas mulheres.

Celina Arêas

“Nesse momento, quando o governo federal quer acabar com o movimento sindical, acho que esse conselho deu uma resposta à altura dos desafios. Demos resposta unânime na aprovação das propostas, tiramos um plano de trabalho e aprovamos um documento em que apontamos a luta dos trabalhadores e das trabalhadoras rumo a uma sociedade justa, humana, com paridade entre homens e mulheres”, resumiu, destacando a expectativa de chegar a 50% de delegadas no Congresso que a CTB deve organizar em 2021.

Educação

Já Marilene Betros, Secretária de Políticas Nacionais da CTB Nacional, elogiou as definições do coletivo de educação da Central, apontadas em Plenária realizada no dia 12 de outubro e aprovadas pelo Conselho. Ela lembrou que a defesa de educação pública, laica, de qualidade e socialmente referenciada é um dos princípios fundantes da CTB e denunciou os prejuízos que os ataques à educação por parte do governo Bolsonaro causam à classe trabalhadora. “São forma de destruir o processo de desenvolvimento do povo”, afirmou.

Dirigente da CTB, Marilene

Segundo Marilene, a plenária dos trabalhadores da educação definiu a luta contra a financeirização do setor, especialmente na educação Superior, e contra a militarização das escolas. Ainda, defendeu os recursos para o pleno funcionamento das universidades e para a educação básica, especialmente por meio da mobilização pela permanência do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que tem como prazo de validade o final de 2020.

“Sem educação básica será um caos. Queremos que o Fundeb se torne permanente e a CTB irá implementar uma campanha nacional em defesa do Fundeb permanente e para que seu percentual [de recursos repassados pela União] seja ampliado gradativamente”, explicou.

Contra privatização da água

Os delegados e delegadas acataram por unanimidade a moção de repúdio contra a aprovação pela Câmara Federal, na ultima quarta-feira (11), do texto-base do projeto de Lei do Saneamento Básico (PL 4162/19, do Poder Executivo), que facilita a privatização de estatais. Para os delegados, a modificação prejudica a população e vai na contramão do mundo, visto que vários países que tentaram privatizar o setor tem promovido a reestatização.

O Conselho Nacional da CTB ocorreu em Brasília entre sexta-feira (13) e sábado (14), reunindo delegados e delegadas representantes de todas as regiões do país nas dependências da Contag, em Brasília-DF.