Petrobras anuncia aumento de 24,9% no diesel e 18,8% na gasolina

Com mega aumento, governo prefere arrancar o couro do brasileiro, mesmo o país sendo autossuficiente em petróleo.

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Obedecendo à orientação do governo Bolsonaro de manter o desastroso atrelamento dos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha ao mercado internacional e ao dólar, a Petrobras acaba de anunciar um aumento de 24,9% no preço do diesel e de 18,8% no preço da gasolina.

Paulo Guedes tinha dito na quarta-feira (9) que o governo não iria controlar os preços e que quem defende isso era “maluco”. Bolsonaro se somou a Guedes e afirmou que não haveria mudança nenhuma na política de preços. Prevendo mais desgaste, voltou a tentar culpar o ICMS pelos aumentos.

Os governadores já haviam desmoralizado esta afirmação ao congelarem o ICMS por 120 dias e mostrarem ao país que os aumentos da Petrobras não pararam.

Para o GLP (gás de cozinha), o preço médio de venda para as distribuidoras foi reajustado em 16,1%, e passará de R$ 3,86 para R$ 4,48 por kg, equivalente a R$ 58,21 por 13kg. Bolsonaro, que na campanha, prometia o botijão de gás a R$ 35, hoje não consegue explicar por que ele está custando mais de R$ 130 em várias regiões do país.

A partir desta sexta-feira (11), portanto, o preço médio de venda da gasolina para as distribuidoras do país passará de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro e o diesel de R$ 3,61 para R$ 4,51 por litro. O fato do governo ter mantido essa política de preços já havia provocado um aumento de 47% em média nos preços dos combustíveis no ano passado. Agora, com o embargo dos EUA ao petróleo russo, os preços tendem a subir ainda mais.

Mantendo a política do governo, a estatal tenta justificar o aumento. “Esses valores refletem parte da elevação dos patamares internacionais de preços de petróleo, impactados pela oferta limitada frente a demanda mundial por energia. Mantemos nosso monitoramento contínuo do mercado nesse momento desafiador e de alta volatilidade”, disse a empresa.

Desde a administração de Aldemir Bendine, em 2015, a Petrobras passou a adotar para suas refinarias uma política de preços que se orienta pelas flutuações do preço do barril de petróleo no mercado internacional e pelo câmbio. Depois, em 2016, no governo Temer, essa política foi oficializada. Com o desgaste provocado pelos seguidos aumentos de preços que já ocorreram, e vão seguir ocorrendo, Jair Bolsonaro, tentou fazer encenações de que poderia intervir.

Era pura encenação porque Paulo Guedes logo deixou claro que os aumentos vão continuar. E continuaram mesmo com os anúncios feitos nesta quinta-feira.

Os lobistas das multinacionais, que estão exportando derivados para o Brasil – com a sabotagem do governo às suas refinarias, o país está comprando 500 mil barris de derivados por dia, iniciaram uma pressão pelos aumentos. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) conseguiu impor o seu índice de reajuste já que dizia que os valores médios de diesel e gasolina da Petrobras nas refinarias tinham atingido 25% de defasagem ante a paridade de importação.