Perpétua Almeida foi escolhida como líder do PCdoB na Câmara em 2020

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo nesta terça-feira (3), a líder do PCdoB na Câmara, Perpétua Almeida, defende a liberdade de expressão como base para a democracia e critica os ataques do presidente Jair Bolsonaro aos jornalistas profissionais, bem como ao Congresso e ao STF.

Perpétua afirma, ainda, que o objetivo do que considera diversionismo bolsonarista é “confundir a opinião pública e tirar do foco assuntos indigestos, como a ligação da família bolsonarista com as milícias.”

Na opinião da parlamentar, “é hora de a institucionalidade punir autoridades que se desviam da lei. Entidades como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) acionaram a Comissão de Ética da Presidência da República e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para dar um basta ao comportamento do presidente, que envergonha o Brasil. A democracia não pode mais ser violentada e ultrajada”.

Leia a íntegra:

Democracia ultrajada

Por Perpétua Almeida*

O ataque sórdido de Jair Bolsonaro à honra da jornalista Patrícia Campos Mello revela o real alvo do presidente da República. A meta bolsonarista é implodir as bases da democracia brasileira.

Jair Bolsonaro pensa que o Estado democrático de Direito é muito chato. Afinal, existe liberdade, o que permite a todos criticarem, fiscalizarem e cobrarem o fim dos desmandos do governo federal.

O uso de insinuações sexuais para destruir reputações é uma forma de minar os atores que tentam impedir o avanço do autoritarismo. O objetivo também é confundir a opinião pública e tirar do foco assuntos indigestos, como a ligação da família bolsonarista com as milícias.

Assim, o governo não precisa dar respostas urgentes a problemas como a estagnação da economia, que, segundo dados do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), enfrenta a mais lenta recuperação da história do Brasil. O desemprego também se alastra (12,8 milhões de pessoas em 2019). De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o índice no Brasil deverá se manter em patamares elevados nos próximos anos.

Patrícia não foi caluniada e difamada apenas por ser mulher. A repórter investigativa da Folha, uma das profissionais mais premiadas do país, foi atacada principalmente por ter revelado ao Brasil que existe uma fábrica de fake news, comandada pelo presidente. Em 2018, ela denunciou o uso por parte da campanha bolsonarista de nomes e CPFs de forma fraudulenta para habilitar celulares e enviar ilegalmente mensagens em massa pelas redes sociais.

Nem mesmo integrantes do primeiro escalão são poupados. O então ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, foi demitido após vazarem conversas de WhatsApp em que o general da reserva supostamente chamava Bolsonaro de “imbecil” e um filho dele de “desequilibrado”. Recentemente, a Polícia Federal comprovou que os diálogos eram falsos. As fake news do “fogo amigo” derrubaram o ministro, um dos generais mais respeitados dentro das Forças Armadas. Uma CPMI no Congresso investiga essa grave realidade, obrigando os envolvidos a darem explicações públicas sobre o esquema.

Além da imprensa livre, outros pilares democráticos também estão na mira desse governo nefasto. A estratégia recorrente é usar as redes sociais para achincalhar e desmoralizar o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) e, agora, os governadores do Brasil. A ideia é fragilizar a estrutura para, dessa forma, conseguir mais facilmente rasgar a Constituição Cidadã de 1988.

É inaceitável que as recorrentes quebras de decoro pautem a política. Nós, da bancada feminina, subimos à tribuna da Câmara em protesto e repudiamos essas atitudes. É hora de a institucionalidade punir autoridades que se desviam da lei. Entidades como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) acionaram a Comissão de Ética da Presidência da República e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para dar um basta ao comportamento do presidente, que envergonha o Brasil. A democracia não pode mais ser violentada e ultrajada.

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