PCdoB: Resolução sobre a campanha nacional de estruturação partidária

O Comitê Central reunido, virtualmente, na última sexta-feira (10) e sábado (11) aprovou resolução que trata da campanha nacional de estruturação partidária, PCdoB 65 Solidário.

Na reunião foram aprovadas outras resoluções, do trato político: “Salvar vidas e preservar a democracia exigem a saída de Bolsonaro”, a resolução que trata dos critérios de distribuição do Fundo Eleitoral, e a emenda que altera o regimento interno partidário.

Confira a íntegra do documento referente à Organização partidária:

Construir um partido mais forte e influente para defender a democracia e preparado para conquistar vitórias em 2020 e para superar a cláusula de barreira

Nota explicativa:

A Campanha Nacional de Estruturação Partidária, PCdoB 65 Solidário. (Texto integral em anexo). Foi publicada no Manual Eleitoral do PCdoB – 65.

De forma sintética esta Campanha tem como foco a pré-campanha e propõe além da atuação solidária nos tempos de pandemia, que cada Comitê Estadual desenvolva a sua própria Campanha de Estruturação tomando por base um conjunto de indicadores ali expressos.

A implantação de renovado Sistema de Responsáveis pelo Acompanhamento  Político (Eleitoral e Partidário)  com duplas que atuam em nome da CPN, revigorou esta relação.

O texto apresentado a seguir, parte destes pressupostos ali expressos.

 

A atual legislação eleitoral apresenta atualmente um nível elevado de exigências. O desafio da Cláusula de Barreira nos coloca a necessidade de desenhar, desde já, a estratégia política e organizativa para a sua superação. A imposição do fim das coligações cria também para nós uma série de dificuldades, embora possua um aspecto positivo ao fortalecer a forma Partido, que, juntamente com a desqualificação da atividade política foi duramente atacada em período recente. Assim, mesmo diante de tantas dificuldades, abre-se também um leque de possibilidades para que nosso Partido realize um salto político e organizativo. Mas, para que este salto aconteça, é preciso reconhecer-se em um novo contexto, e, para isso, nos prepararmos para crescer na crise.

A curto prazo, nosso maior desafio é nos prepararmos para as eleições de 2020; eleições que ocorrem no cenário inteiramente novo, impensável há meses atrás.

Uma coisa é certa, eleição você ganha ou você perde, mas onde tem Partido estruturado, seguiremos adiante prontos para novas jornadas e nelas buscar vitórias que no caso de 2022, é estrutural para o funcionamento institucional do Partido.

A formação de Quadros

Partido encarando os desafios da gestão integral de dados. Além de ter acesso a um banco de dados inteligente, que fornece informações detalhadas e complexas sobre cada quadro e que possibilita a melhor forma de mobilizar, de integrar nos diferentes projetos partidários.

Que vá ajustando no sentido de formar quadros, forjar quadros nas áreas estratégicas de cada estado.

De onde virão os votos em 2020 e o papel dos quadros

A eleição com a proibição de coligação proporcional interfere diretamente nos resultados eleitorais, na construção de resultados vitoriosos.

O resultado, a vitória será produto do somatório de todos os votos de todas as candidaturas, portanto não basta uma personalidade se destacar eleitoralmente. No período que era permitida a coligação proporcional, a vitória às vezes dependia muito de uma personalidade que em muitos casos ultrapassava a capacidade do Partido em produzir um resultado. A eleição em chapa própria implica numa incidência maior da ação organizadora do partido, na coordenação e distribuição dos recursos sob o comando partidário, sobretudo seus quadros mais preparados.

Chapa Completa

Reconhecer que os votos necessários virão pela presença e sagacidade de nossas lideranças, mas que sobretudo nesta quadra os votos para eleger nossos/as parlamentares serão produto do desempenho das potencialidades de todos integrantes da chapa completa.

Neste quesito reside importante engenharia na escalação do primeiro time, o time dos quadros partidários, ora alguns indo compor a chapa de candidatos/as, ora outros tantos escalados para coordenar / apoiar aquelas candidaturas com maior potencial de votos, e não as de maior proximidade por laços pessoais.

Candidaturas das mulheres

Transformar a exigência legal em política de empoderamento. Eleger mulheres é uma decisão política. As condições atuais de pandemia, tornam a manutenção e desenvolvimento das candidaturas das mulheres em algo mais complexo, pois recai sobretudo nelas o cuidado de crianças e idosos.

Cabe à direção escalar quadros que para dar atenção e apoio cotidiano coordenando a esta frente e transformando estas dificuldades em superação, abrir caminho para que estas candidatas se expressem e transformem a dedicação concentrada em confiança, em proximidade, em expressão viva da capacidade de compreender e vencer desafios. Assegurar as condições para que essas candidatas explorem e vivenciem todo seu potencial político e eleitoral.

Relação Partido X ação política eleitoral

Reconhecer que nosso Partido tem protagonismo superior na ação política e relativa defasagem na Estruturação Partidária.

A articulação harmoniosa entre ação política eleitoral e ação estruturadora é um dos nossos maiores desafios, em outras palavras, de forma mais direta a sincronia entre ação eleitoral e Partido pois estamos diante de novas exigências, novas singularidades.

É fundamental acertar na política, mas além de acertar é preciso realizá-la, pois na política, a força real é pré-condição para ter acesso à mesa de articulação, a força política real é dimensão fundamental para que a posição política acertada tenha fluência e capacidade de se transformar em ação concreta, em resultados.

Tratar de forma sinérgica ação política e ação estruturadora do Partido

Os objetivos maiores do partido são constituídos pela busca do poder, da hegemonia política.

Nosso Partido tem por missão buscar o poder, essa é a questão. Ação política e ação estruturadora do próprio partido são faces deste mesmo objetivo. Esta busca necessariamente tem que chegar até o povo. Quem faz isso? Ora o Partido em suas Bases, na relação concreta com o povo, na sua ação política real em todas as dimensões da luta.

Nesta busca pelo poder político é indispensável a análise do contexto, da correlação de forças. Ao planejar a ação, (ação política) o que fazer, quando, com quem, com que recursos (humanos, políticos, tempo, materiais, financeiros)?

É na problematização, no ajuste entre a intenção e gesto, entre vontade e capacidade de realizar, e é neste ambiente de ação inteligente que se constitui o link, a relação objetiva das duas faces do mesmo objeto (Partido).

Nesse aspecto, há um outro desafio a ser superado. Essa relação dialética entre ação política e ação estruturadora parece não ser ainda suficientemente compreendida. Alguns dirigentes, chegam a expressar que, em um ano eleitoral, carregado de tensões, expectativas e incertezas seria inviável ter que direcionar atenções para pensar a estruturação a partir das questões sugeridas pela Campanha. Essa visão fragmentada da realidade coloca o “fazer” político de um lado e o “pensar” a estruturação partidária de outro, como se não fosse necessário pensar a política e fazer a estruturação a partir de ações concretas, conforme está proposto na Campanha Nacional de Estruturação Partidária.

Estruturar o Partido é condição para que não nos tornemos reféns de conjunturas políticas incertas. A articulação política é necessária para vitórias eleitorais que colocam o Partido em condições favoráveis no cenário de acirradas disputas hegemônicas no campo político.  Porém essas vitórias eleitorais não são suficientes para manter o Partido vivo, pulsante, mergulhado nas lutas do povo, e, como tal, espaço onde são gestadas novas lideranças capazes de influenciar a vida social e política, inclusive nas disputas eleitorais. E o Partido vivo se faz por meio de bases partidárias estruturadas, com acompanhamento sistemático de Comitês (distritais, municipais, estaduais) atuantes, com funcionamento efetivo e permanente.

Assim, a articulação entre ação política, especialmente aquela voltada para a pré-campanha e a campanha eleitoral e a ação estruturadora envolvendo ações de organização, formação, comunicação e finanças, não é apenas possível, mas necessária para o enfrentamento dos grandes desafios que se colocam.

Para além dos avanços verificados com o impulso da Campanha de Estruturação Partidária, um conjunto de atualizações e de aperfeiçoamento faz se necessário:

1 – Estimular que Quadros partidários sejam candidatos ou coordenadores de campanha.

2 – Estimular / orientar em cada estado o “Banco de dados Inteligente” e promover a atualização permanente dos dados cadastrais.

3 – Necessidade de portal do Partido (www.pcdob.org.br) ter visibilidade, atualidade e que expresse a vida real da ação política partidária e a vivência partidária, seus êxitos e experiências.

4 – As direções partidárias dos Municípios preparadas para utilizar as redes sociais na divulgação da ação política, da mobilização em defesa da vida, da pré-campanha e dos diferentes aspectos de seu valioso Programa.

5 – A comunicação é um dos pilares da estruturação partidária pois é por meio dela que nossas ideias são propagadas para a sociedade e, internamente atua como elemento agregador de nossa militância e mais facilmente alcança os filiados e filiadas. Desse modo a Estruturação Partidária tem hoje como ferramenta imprescindível as NTCI (Novas Tecnologias de Comunicação e Informação). A adequação de ferramentas de comunicação digital e a Institucionalização do uso dos instrumentos internos, como Grupos de WhatsApp de dirigentes e militantes, racionalizando o uso com regramento que torne este meio tão eficaz, em de ferramenta de trabalho, além do uso de redes sociais, hoje cada vez mais indispensáveis nos processos de comunicação.

6 – A necessidade de preparar o Partido na sua capacidade de arrecadação de recursos localmente. Iniciar de imediato a ação de arrecadação financeira “Impulsione a Democracia – Faça a sua doação ao PCdoB e ao Movimento 65” para arrecadar recursos próprios para os Comitês Municipais durante as fases da pré-campanha e da campanha eleitoral.

7 – Pensar e colocar em curso uma estratégia de comunicação interna com filados e militantes que integram a base de dados do PCdoB Digital. (atualmente temos instrumentos e informação para nos comunicarmos de maneira direta e segmentada com 300 mil filiados e 60 mil militantes recadastrados)

8 – Assegurar que a distribuição do Fundo Partidário impulsione a campanha eleitoral e reforce a estruturação partidária.

9 – Tivemos aporte considerável de quadros com a incorporação do PPL, é tempo de ampliarmos ainda mais nossas filiações.

10 – Estruturação Partidária em sinergia com a frente de massas, seja sindical, juventude, mulheres, LGBT, moradia e os de áreas como Saúde e Educação.

11 – Escolhas Estratégicas. – Estimular o olhar no imediato e a médio prazo. Isso requer discutir mais as realidades locais e regionais, fazer, aonde ainda não estão feitas, as escolhas estratégicas de quais linhas de acumulação são estabelecidas para que o coletivo da direção trabalhe e construa enraizamento, adense influência com consolidação da presença partidária, territorialmente e socialmente, construindo caminhos de diálogo, pensando e propondo iniciativas para o desenvolvimento. Para isso é necessário aprofundar-se no conhecimento da realidade onde o Partido atua. Por exemplo, se é no setor de tecnologia, se está situado numa região mais industrializada ou se no setor de serviços, ou de base produtiva assentada no agronegócio, qualquer que seja a realidade onde nos colocamos, é preciso conhece-la para que sejam construídas propostas consistentes na superação de seus problemas e assim, estabelecer um vínculo com o seu povo.

É preciso também que o coletivo partidário seja capaz de mobilizar, social e politicamente, as melhores forças de cada local. Nelas estão incluídas além das entidades dos trabalhadores certamente as Universidades, os Institutos Federais, e construir diálogo com o setor produtivo.

Quando falamos no desenvolvimento dessas relações, estamos falando de estruturação partidária e, certamente, estamos falando em iniciativas que  impactam na elaboração da plataforma eleitoral de 2020 na perspectiva de relações mais densas, compreendendo a totalidade da construção da vida nas cidades e projeta um arco de relações ainda mais amplas no processo de financiamento da campanha atual e em perspectiva dá fundamento para um projeto expandido em 2022.

A procura por pessoas e partidos que afirmam a construção da esperança com base na realidade, apresentando alternativas, mostrando que na produção de bens materiais e imateriais daremos passos no desenvolvimento equilibrado.

Após as eleições novas tarefas já anunciadas estão marcadas no calendário:

2021, 1º semestre:

Conferência Nacional pela Emancipação da Mulher.

Conferência Nacional de Combate ao Racismo.

Início das comemorações do Centenário do PCdoB

2021, 2º semestre:

15º Congresso do PCdoB

2022:

Centenário – 25 de março o PCdoB completa 100 anos.

Eleições Nacionais

Documento em PDF: 

ESTRUTURAÇÂO PARTIDÁRIA Resolução CC de julho de 2020

Outras resoluções aprovadas pela direção do PCdoB:

https://pcdob.org.br/documentos/