PCdoB repele visita de secretário dos EUA ao Brasil

Foto: Com Soc 1 Bda Inf Sl/Divulgação

A Comissão Executiva Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), publica nota neste sábado (19), em que levanta sua preocupação com a visita eleitoreira do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo ao Brasil. Para os comunistas, a visita caracteriza mais uma “imposição de seus interesses imperialistas na região”.

O secretário esteve em Boa Vista (RR) e  foi recebido pelo chanceler brasileiro Ernesto Araújo  nesta sexta-feira (18), causando um mal-estar e estranhamento de vários setores políticos e especialistas em relações internacionais. Para o PCdoB, tal visita aparenta ser “mais um capítulo do estreitamento dos laços diplomáticos Brasil-EUA” que vem ocorrendo desde a eleição de Bolsonaro.

Pompeo esteve no Suriname, Guiana, Brasil e Colômbia no período de plena campanha do presidente estadunidense Donald Trump à reeleição. O texto do PCdoB expressa a preocupação do Partido “com a escalada da ingerência externa na região amazônica sul-americana”.

Segue abaixo a íntegra da nota:

Sobre a visita eleitoreira de Pompeo ao Brasil

Os Estados Unidos estão em plena corrida presidencial. Faltam pouco mais de 40 dias para o pleito. Após fazer dois giros pré-eleitorais, um pelo Oriente Médio e outro pela Europa, o secretário de Estado da gestão Trump desembarcou na América do Sul. Trata-se de entregar aos eleitores americanos o prometido ainda na última eleição e dar perspectiva de sequência, caso votem na reeleição: “pacificação do Oriente Médio”, “enfrentamento à China” e “desmonte do bolivarianismo na América do Sul”. As três maiores ameaças ao América First.

No Oriente Médio, Pompeo terminou de selar os acordos entre os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein com Israel, celebrados com pompa na Casa Branca esta semana. Na Europa, Pompeo arrancou compromissos de banimento da Huawei na implantação do 5G em vários países. Na América do Sul, Pompeo anunciou “vamos tirar ele de lá”, referindo-se a Maduro, presidente eleito da Venezuela. O ato é de tal afronta que o mundo político brasileiro se uniu em rechaço à visita eleitoreira com importantes posicionamentos vindos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e outras autoridades, como os ex-chanceleres Celso Amorim e Aloysio Nunes.

A instrumentalização do Brasil para uma política de desestabilização da Venezuela tem sido uma constante ao longo do governo Trump, primeiro com Temer e de forma mais contundente com Bolsonaro na presidência. Uma eventual intervenção militar chegou a ser cogitada na alta cúpula do poder de Brasília no início do governo, algo que destoa absolutamente da tradição diplomática pacífica brasileira consolidada ao longo do século XX e aprofundada com os governos progressistas do século XXI. Especialmente com um país vizinho e de tamanho intercâmbio comercial com o Brasil como é a Venezuela.

O Partido Comunista do Brasil expressa sua profunda preocupação com a escalada da ingerência externa na região amazônica sul-americana. A visita de Pompeo, que esteve no Suriname, Guiana, Brasil e Colômbia, mostrou que problemas graves, como as dificuldades para combater a pandemia na região, a proteção de populações indígenas vulneráveis, a cooperação comercial e para o desenvolvimento sustentável passam longe dos reais interesses norte-americanos. Estão mais preocupados com o petróleo descoberto na Guiana, a política de estrangulamento econômico, político e social da Venezuela e a imposição de seus interesses imperialistas na região.

Fora Pompeo e Trump da América do Sul e do Brasil!

Comissão Executiva Nacional

Partido Comunista do Brasil (PCdoB)