PCdoB elegerá Comitê Central com novo sistema de direção

O 15º Congresso do PCdoB, realizado pela primeira em plataforma digital, entre os dias 15 e 17 de outubro, culminará com a renovação do seu Comitê Central. Principal instância de condução da vida e da atividade partidária, o Comitê Central, que foi eleito no 14º Congresso com 170 integrantes, terá redução e renovação de quadros, com o objetivo de otimizar e fortalecer a luta política.

“Queremos ampliar o número de trabalhadores, mulheres e jovens com atuação destacada na luta de massas, na luta de ideias, na frente institucional, nas atividades de estruturação partidária. Com isso, queremos constituir um sistema integrado de direção, que possibilite levar as deliberações deste colegiado rapidamente a todo o país”, destacou o secretário de Organização do partido, Fábio Tokarski durante o evento.

A nova composição será apresentada e discutida entre os delegados nos próximos dias e eleita no domingo (17). Entre os desafios do novo Comitê Central, Tokarski apontou a condução do partido como “força impulsionadora e construtora da Frente Ampla, lutando para derrotar o governo fascistizante de Bolsonaro e superar a atual crise em que se encontra o país e abrir perspectivas para a retomada de um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, alavancado por reformas democráticas e estruturantes, tendo como rumo o Programa Socialista”.

A renovação, pontuou Tokarski, não significa que os quadros que serão substituídos estão superados. “Pelo contrário, é preciso reconhecer e valorizar a experiência e a capacidade dos quadros veteranos, indispensáveis ao partido. Trata-se de alternância de tarefas, e não de superação. A renovação é uma exigência normal do desenvolvimento partidário, e se dá por vários critérios, pelas novas necessidades do partido a cada momento e pelo papel dos quadros em cada contexto determinado. Os quadros são a coluna vertebral do partido e nosso partido tem muitos quadros e tem bons quadros, resta necessário atribuir novas tarefas”, destacou.

Realizações

Apesar das adversidades no cenário político nacional, Tokarski lembrou que o coletivo partidário teve importante papel na consolidação da chamada Frente Ampla, nas articulações para a aprovação no Parlamento das Federações Partidárias, além da integração do Partido Pátria Livre ao PCdoB, após eleição de 2018, quando os dois partidos não atingiram a cláusula de barreira e decidiram se unir.

“O processo de integração do PPL ao PCdoB tem sua origem quando da eleição de Bolsonaro, buscando o fortalecimento de duas forças revolucionárias em uma única agremiação mais robusta política e ideologicamente para enfrentar o período sombrio que se avizinhava. Este processo se deu no mais elevado nível político percorrendo o conjunto de organismos partidários, frentes de massas, e movimentos sociais. O 15º Congresso vai coroar esse processo de integração, deixando o partido ainda mais fortalecido para enfrentar os desafios de 2022, isolar e derrotar Bolsonaro, e tirar o Brasil da crise”, disse.

Desafios

Em sua fala, o secretário de Organização trouxe ainda alguns desafios deste novo colegiado: a formação de um núcleo que complete o ciclo entre justa orientação política, conexão com o povo, grande comunicação, rede orgânica de sustentação assentada nas ideias programáticas e táticas.

Para tanto, Tokarski afirmou que é preciso que todas as frentes de atuação da militância partidária devem convergir para fortalecer o vínculo com a luta do povo e constituir uma base eleitoral fidelizada à legenda dos comunistas; ampliar a capacidade de comunicação; mobilização, arrecadação; e de prover vida militante.

“O centro do trabalho de direção deve estar nas organizações de bases partidárias, capilarizadas nos territórios populares e setores estratégicos da luta, no sentido de transformá-las em polos de crescimento, de novos militantes e filiados, de espaços de organização das lutas e formação de lideranças. Para isso é fundamental que tenham apoio, presença constante de quadros mais experientes dos órgãos de direção; utilizem meios digitais como fatores organizacionais em tempo real; impulsionem e aglutinem as iniciativas das diversas frentes; e se comprometam com a sustentação material do trabalho partidário”, elencou.

Por Christiane Peres