Parlamentares veem gravidade nas declarações de Aras sobre a Lava Jato

Foto: Najara Araujo/Agência Câmara

Em um debate virtual promovido por um grupo de advogados, nesta terça-feira (28), o procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou que é hora de “corrigir rumos” para que o “lavajatismo” passe e seja substituído no Ministério Público por outro modelo de enfrentamento à criminalidade.

Para a líder do PCdoB, deputada Perpétua Almeida (AC), Aras “joga uma pá de cal na Operação Lava Jato”. “Mundão não gira, ele capota… É Aras, o PGR de Bolsonaro, quem joga a pá de cal na Lava Jato. ‘É a hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure.’ ‘A força-tarefa de Curitiba é uma caixa de segredos.’ ‘Dados de 38 mil pessoas não podem servir à chantagem e extorsão’”, elenca Perpétua as declarações de Aras no debate promovido pelo grupo Prerrogativas.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) diz que a possibilidade de compartilhamento de informações pessoais entre Receita Federal, Lava Jato e PF sem autorização judicial, para criar um banco de dados sobre 38 mil pessoas é criminoso. “É uma ‘polícia política’ para ser acionada contra todos que não se intimidam aos abusos”, diz o deputado.

Para ele, a Câmara deve imediatamente instalar a CPI da Lava Jato, que já foi lida e aguarda decisão do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“Os 50 mil documentos que a Lava Jato possui arquivados em um sistema paralelo, sem controle da PGR ou das Corregedorias, revela um Estado Policial dentro do País. Trata-se de uma afronta ao Estado de Direito e não pode ser tolerado impunemente pelo STF e pelo Congresso”, defendeu.

“Caixas de segredos”

O procurador-geral afirmou que a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba tem os dados de 38 mil pessoas e funciona como uma “caixa de segredos”. Segundo ele, a operação tem mais dados armazenados do que todo o sistema do Ministério Público Federal. O arquivo do grupo de procuradores de Curitiba tem 350 terabytes, enquanto o sistema do MPF tem disponível apenas 40 terabytes.

“Curitiba tem 38 mil pessoas lá com seus dados depositados. Ninguém sabe como foram escolhidos, quais os critérios, e não se pode imaginar que uma unidade institucional se faça com segredos, com caixas de segredos. Nenhuma instituição”, afirmou o procurador-geral.