Parlamentares do PCdoB repudiam ameaças sofridas por Felipe Neto

Trecho do vídeo publicado pelo The New York Times, onde Felipe Neto critica Jair Bolsonaro

youtuber Felipe Neto é a mais nova vítima da rede bolsonarista, que espalha notícias falsas e ameaças nas redes sociais. Após intensificar suas críticas ao governo de Jair Bolsonaro e ter um vídeo com elas publicado pelo The New York Times, o influenciador digital virou alvo de uma pesada campanha difamatória. Em entrevista ao Jornal Nacional, nesta quinta-feira (30), Neto falou de uma falsa acusação envolvendo seu nome em casos de pedofilia e outras fake news disseminadas pelo grupo.

Por Christiane Peres e Nathália Bignon

“Virem atrás de mim, dentro da minha casa, é um nível de perseguição que eu não imaginei que aconteceria. É o tipo de coisa que você vê em filme, vê em série, mas nunca imagina que realmente aconteça. Você vê em novela. Sabe aquele vilão de novela que você diz assim: ‘não existe na vida real’. Mas existe, ele está aí, ele acontece, e estou vendo agora na prática até onde as pessoas são capazes de ir”, afirmou Felipe Neto ao jornal, após relatar uma das ameaças, onde homens acompanhados de um carro de som foram até a entrada do condomínio onde ele mora fazendo ameaças.

Desde a intensificação das ameaças ao youtuber, deputados do PCdoB têm se manifestado em relação ao caso. Coordenador de um grupo que tem discutido o PL das Fake News na Câmara, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) tem reiterado a importância de se chegar aos financiadores do chamado gabinete do ódio.

Em resposta a uma das postagens de Felipe Neto, onde o youtuber afirmava ter retirado do ar mais de 1,2 mil vídeos e conteúdos difamatórios em um único dia, Orlando Silva afirmou que o influenciador “deveria estar incomodando muito”.

“Isso significa que você está incomodando muito, tanto que acionaram o gabinete do ódio modo desespero para atingi-lo. É cada vez mais necessário descobrir quem paga a conta desse arsenal criminoso, porque certamente são os mesmos que estão pedindo a música no governo Bolsonaro”, afirmou o parlamentar.

O vice-líder do PCdoB, o deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA) condenou as ações contra Neto. Para ele, a série de ataques é “repulsiva” e “criminosa”. “Essa campanha dos milicianos bolsonaristas contra Felipe Neto é repulsiva, nojenta, asquerosa, criminosa. Manifesto minha indignação contra esses crimes e total solidariedade ao Felipe”, disse o parlamentar.

Nesta sexta-feira (31), o jornal O Globo revelou que um dos autores das ameaças também estava também entre os delinquentes que lançaram fogos de artifício contra o Supremo Tribunal Federal (STF) durante manifestações realizadas em junho. O autor das ameaças e dos disparos se identifica nas redes sociais como “Cavalieri, o guerreiro de Bolsonaro”.

Ao mencionar as ameaças ao influenciador digital, a líder do PCdoB na Câmara, deputada Perpétua Almeida (AC), lembrou que enquanto a rede bolsonarista ataca Neto e as instituições do país, Bolsonaro tenta livrá-los de investigações. “O autor de ameaças na casa de Felipe Neto estava no grupo que simulou o bombardeio ao STF com fogos de artifício. O que fez Bolsonaro nesta semana? Impôs à AGU que ajudasse sua turma, entrando com Adin pedindo o desbloqueio dos perfis que comandam as fakes news. Esse é o Bolsonaro”, afirmou a parlamentar.

Para vice-líder da Minoria, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), passa da hora de os responsáveis por essas ações criminosas serem punidos.

“As acusações sofridas por Felipe Neto, depois da divulgação de fake news, é mais um exemplo do estrago causado por essa prática criminosa e irresponsável. Esses ataques ameaçam a democracia e não tem nada a ver com liberdade de expressão. Os responsáveis precisam ser punidos”, declarou.

Felipe Neto é um dos maiores influenciadores digitais do país, com 63 milhões de seguidores em redes sociais. Ganhou fama com vídeos de humor, muitas vezes críticas ácidas, a personagens e situações comuns aos jovens, mas nos últimos anos também passou a falar sobre política. Fez críticas frequentes ao governo Dilma, mas a “pegada política” se intensificou após a eleição de Jair Bolsonaro.