Parlamentares do PCdoB participam de ato um ano sem Marielle

Richard Silva/PCdoB na Câmara

Catorze de março de 2019. Há um ano, um crime bárbaro chocou o país. Uma vereadora foi assassinada, junto com seu motorista, com diversos tiros. Às vésperas do “aniversário” do crime, os assassinos foram presos, mas o mandante segue desconhecido. Num ato realizado na Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira (14), parlamentares de diferentes legendas fizeram a pergunta que não quer calar: “Quem mandou matar Marielle?”.

O brado ecoou no Salão Verde da Câmara dos Deputados – onde, ao lado, um dos responsáveis por quebrar uma placa em memória à vereadora do PSol, o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), realizava um ato contra maus tratos aos animais.

Para a líder da Minoria na Câmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), os mandantes do assassinato não imaginavam que um ano depois, a cobrança por respostas estaria ainda mais viva.

“Essa luta não morreu e não vai morrer. Isso vai precisar ser esclarecido. Nós participamos de uma comissão externa, acompanhando as investigações, e sempre nos perguntávamos porque tanto atraso pelas respostas? Quem estavam protegendo? Hoje, talvez, a gente entenda melhor. Essas perguntas precisam ser esclarecidas pelo Estado brasileiro. Marielle deixou de ser do Psol há muito tempo. Ela é da esquerda, do povo. Essa é uma luta das mulheres, das negras, do movimento LGBT, contra o preconceito, ódio, intolerância, violência, contra o crime político. Ela é a luta democrática. Assassinar uma parlamentar é um crime contra a democracia. E isso precisa ser esclarecido. Toda vez que erguermos nosso punho para lutar por democracia, Marielle estará conosco”, afirmou a deputada no ato.

Correligionária de Marielle, a deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS) reforçou que embora nada vá trazer Marielle e Anderson de volta, é preciso honrar suas vidas e exigir justiça. “Os executores tinham um mandante e nós queremos saber quem mandou matar. Queremos saber a motivação política”, disse.

Assassinato

O crime ocorreu no cruzamento das ruas Joaquim Palhares, Estácio de Sá e João Paulo I, pouco mais de um quilômetro distante da casa de Marielle. Um carro emparelhou com o chevrolet Agile da vereadora e vários tiros foram disparados contra o banco de trás, justamente onde estava Marielle. Treze disparos atingiram o carro.

Quatro tiros atingiram a cabeça da parlamentar. Apesar dos disparos terem sido feitos contra o vidro traseiro, três deles, por causa da trajetória dos projéteis, chegaram até a frente do carro e perfuraram as costas do motorista Anderson Gomes. Os dois morreram ainda no local.

A única sobrevivente foi uma assessora de Marielle. O carro ou os carros usados no crime (acredita-se que tenham sido dois) deixaram o local sem que os autores do homicídio pudessem ser identificados, pois as câmeras de trânsito que existem na região estavam desligadas.