Paraisópolis: Comunistas reagem à barbárie. Ação da PM deixou 9 mortos

Moradores saíram às ruas em protesto no domingo (1º)

Foto: Daniel Arroyo/ Mídia Ninja

Nove pessoas morreram pisoteadas e 12 ficaram feridas depois de ação da Polícia Militar de São Paulo em um baile funk em Paraisópolis, na madrugada do domingo (1º). O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), pré-candidato pelo partido à prefeitura de São Paulo, informou pelas redes sociais eu vai propor uma Comissão Externa na Câmara, em Brasília, para acompanhar a apuração do caso. O parlamentar classificou como “barbárie” a atuação da PM contra a população de uma das maiores favelas do país.


No momento da postagem do deputado estavam confirmadas oito mortes. O número subiu para nove. São todos jovens com idades entre 14 e 23 anos.

Orlando lembrou que a violência do estado é recorrente contra a população pobre e negra e que a situação pode piorar se o Congresso aprovar as mudanças no chamado “excludente de ilicitude”, que basicamente conferem “licença pra matar” aos policiais em casos de GLOs – Operações para “Garantia da Lei e da Ordem”.

O parlamentar de São Paulo ainda criticou a defesa dos PMs feita pelo governador João Dória (PSDB).

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também se manifestou sobre o caso, pontuando que o massacre contra os jovens de favela e a perseguição ao funk é uma realidade nacional – vivida com intensidade no Rio de Janeiro. Ela exigiu investigação e punição imediata.

 

Versões

Enquanto os policiais dizem ter reagido a atuação de criminosos, que teriam inclusive atirado contra militares e feito frequentadores do baile como escudos humanos, as famílias das vítimas afirmam que a polícia fez uma “emboscada” para acabar com a festa. Frequentadores relataram uso de armas de fogo, bombas de gás e balas de borracha pelos PMs, que teriam também atirado garrafas e batido com cassetetes, além de desferirem socos e pontapés, inclusive em pessoas imobilizadas.

Conforme a reportagem da BBC Brasil, o Baile da 17, como é conhecido, acontece desde o início dos anos 2000 e já chegou a reunir 30 mil pessoas. No dia da ação policial, cerca de 5 mil frequentadores se divertiam no local.