Para Guedes, Brasil cresce mais que países ricos e pode ajudar vizinho

Brasília, DF, 14ª Reunião do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI), no Ministério da Economia, bloco K NA FOTO: Ministro da Economia, Paulo Guedes FOTO: EDU ANDRADE/Ascom/ME

(Foto: Edu Andrade Ascom-ME)

Guedes disse que vender ações da Petrobras e usar o ganho para custear programas de sociais pode ser uma alternativa para a privatização completa da empresa.

No universo paralelo do bolsonarismo, o Brasil cresce economicamente de forma espetacular, causando inveja aos países ricos, podendo até ajudar os vizinhos. É o que diz o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, para americano ouvir e trazer dólares ao Brasil. É só ignorar a taxa de desemprego, o índice de inflação, a recessão, a desindustrialização e focar na explosão dos juros, nas privatizações e no derretimento da moeda nacional.

O ministro disse que o desempenho da economia brasileira está surpreendendo, com o país recuperando-se em ritmo melhor que as economias avançadas em 2021. “Caímos menos e estamos crescendo mais rápido do que as economias avançadas. Vamos crescer 5,3% neste ano”, declarou Paulo Guedes, em evento da organização Atlantic Council, em Washington.

Para Guedes, a “ação do governo” contribuiu para reduzir a queda da economia em 2020, com a criação do auxílio emergencial e do programa que preservou empregos em troca da redução de jornada ou da suspensão de contratos. Ele omitiu que essas medidas foram iniciativa parlamentar, contra as quais seu governo lutou ferrenhamente. “O programa de manutenção de empregos preservou 11 milhões de empregos. Além disso, 3 milhões de postos formais de trabalho foram criados desde a metade do ano passado.”

O petróleo é deles

Guedes disse que vender ações da Petrobras e usar o ganho para custear programas de sociais pode ser uma alternativa para a privatização completa da empresa. Bolsonaro busca desesperadamente formas de financiar um programa de distribuição de renda, sem sucesso, mesmo que isso implique em vender patrimônio estratégico para estrangeiros.

“Quando o preço dos combustíveis sobe, os mais frágeis estão com dificuldades. Imagine então se eu vender um pouco das ações da Petrobras e der pra eles esses recursos? Não faz sentido o país ficar mais rico e o pobre ficar mais pobre”, disse Guedes, em conversa com jornalistas ainda em Washington.

Guedes disse ainda que, se o preço do petróleo está subindo, a Petrobras também sobe de valor. “E pode subir mais ainda se eu falar que eu vou privatizar, abrir mão do controle”, afirmou. Ele defendeu a criação de uma corporação, “a mesma ideia usada na Eletrobras”, que precisou ser capitalizada.

Guedes ressaltou que defende a privatização de todas as estatais, incluindo a Petrobras, e que dinheiro seja usado para transferir riquezas aos mais pobres. “Capitalismo popular, de Margaret Thatcher”, disse, referindo-se a sua guru neoliberal, extremamente impopular entre os trabalhadores no Reino Unido.

De olho na América Latina

Dentro de dois meses, o Brasil começará a ajudar países vizinhos a reforçar a imunização após concluir a vacinação da população adulta contra a covid-19, disse o ministro da Economia. Segundo Guedes, a medida é necessária para reduzir a desigualdade na recuperação econômica no pós-pandemia.

“Temos preocupação com a recuperação desigual entre os países. Em dois meses, teremos nossa população toda vacinada e vamos começar a vacinar nossos vizinhos”, afirmou o ministro.

O ministro destacou que o Brasil já vacinou 93% da população adulta com a primeira dose e 60% com as duas doses ou dose única. De acordo com o ministro, o ritmo da imunização está garantindo “uma volta segura ao trabalho” no país.

Guedes disse que a importância da vacinação em massa foi um dos principais temas discutidos nas reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Os encontros ocorrem nesta semana na capital norte-americana, com a presença de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais de diversos países.

O ministro destacou que as mudanças climáticas estavam entre os principais tópicos das reuniões do FMI e do Banco Mundial. Segundo ele, todo o planeta está preocupado com a questão, que provoca catástrofes em alguns países e tem impacto sobre o preço da energia em outros lugares.

“Está chovendo muito pouco no Brasil, e preços da energia estão aumentando. Já na China, chove demais e o preço do carvão sobe”, concluiu o ministro.

Por Cezar Xavier