ONU condena "violência" contra defensores de Direitos Humanos

Michelle Bachelet, Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos

(Fabrice Coffrini/Reuters)

A ONU registrou que em 2020 ocorreram 66 matanças na Colômbia, com 255 vítimas, além do assassinato de 120 defensores de direitos humanos, motivo pelo qual solicitou às autoridades a adoção de “medidas concretas de proteção à população”.

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, divulgou, terça-feira (15), comunicado em que “condena a intensificação da violência perpetrada por grupos não estatais, gangues criminosas e outros elementos armados na Colômbia, que têm como alvo camponeses, indígenas e afro-colombianos”.

“É trágico ver tantas pessoas sendo vítimas de uma violência horrenda persistente em todo o país”, denunciou a ex-presidente chilena, que incluiu na categoria de vítimas “aqueles que permaneceram“ no território apesar da violência, e que “permanecem quase completamente indefesos”.

Bachelet exigiu “medidas mais fortes e efetivas” das autoridades colombianas, levando em consideração que o Estado deve considerar como um “dever” o simples fato de “estar presente” em todo o país.

Assinalou que a isso se soma o assassinato de 244 ex-combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) desde a assinatura do acordo de paz, em 2016, entre essa força guerrilheira e o governo.

“Não existe nenhum plano de ação ou política pública do presidente Iván Duque, e isso contribui para que se repitam os processos de violência, que a impunidade continue e que as comunidades indígenas continuem desprotegidas”, acrescentou o presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), Camilo González.

O assassinato do líder indígena Miguel Tapí Rito em 3 de março obrigou centenas de integrantes das comunidades de Posa Mansa, El Brazo, Bakuru Purru e Boroboro para uma cidade próxima onde solicitaram proteção ao governo.

Bachelet pediu ao governo de Iván Duque o desmantelamento dos bandos criminosos que sucederam os diferentes grupos paramilitares, conforme estipulado no acordo de paz de 2016.