OIT: País terá 14 milhões de desempregados ao fim do governo Bolsonaro

Se chegar ao fim de seu mandato, em 31 de dezembro de 2022, o presidente Jair Bolsonaro deixará o Brasil com mais desempregados do que no início do governo. De acordo com um novo informe da OIT (Organização Internacional do Trabalho), o País não vai nem sequer recuperar o nível de empregos que tinha antes da pandemia de Covid-19.

Nesta segunda-feira (17), a OIT rebaixou sua previsão de recuperação do mercado de trabalho brasileiro em 2022. “Estamos vendo tanto um aumento de desemprego como uma redução do número de pessoas participando do mercado de trabalho”, diz o diretor-geral da agência, Guy Ryder. “Se você agrega esses dois elementos, o que se vê é um sinal de uma situação preocupante no estado de saúde do trabalho.”

Em 2019, o número de desempregados no Brasil era de 12,5 milhões de pessoas. Em 2021, atingiu 14,3 milhões de pessoas. Para 2022, deve chegar a 14 milhões. Em termos percentuais, a taxa saiu de 11,9% em 2019 para 14,4% em 2021. Em 2022, ela será de 13,6% – taxa mais de duas vezes superior à média mundial.

Para a OIT, dificilmente o Brasil conseguirá voltar aos níveis de 2019 – e a recuperação pode ser adiada. Segundo Ryder, além do desemprego, milhões de brasileiros abandonaram “de forma significativa” o mercado de trabalho e não estão nem buscando mais emprego. Antes da crise sanitária, 62,2% dos brasileiros estavam no mercado de trabalho. Em 2020, a taxa caiu para 57,3% e, agora, continua abaixo dos índices de 2019, com 59%.

De acordo com a OIT, a situação do emprego no mundo viverá uma recuperação. Mas Ryder admite que esse processo será mais lento e mais difícil que se imaginava. Hoje, a agência projeta um déficit em horas trabalhadas globalmente equivalente a 52 milhões de empregos em tempo integral, em comparação ao quarto trimestre de 2019. A estimativa é duas vezes pior do que se previa, de 26 milhões de empregos equivalentes em tempo integral.

Para o economista chefe da OIT, Richard Samans, a América Latina como um todo terá o cenário menos otimista entre todas as regiões do mundo e as taxas de desemprego não retornarão aos níveis pré-pandemia até pelo menos 2023. O continente só voltará a ter as taxas de desemprego que registrava antes da pandemia em 2024. Em 2019, o índice era de 24,3%. Em 2020, subiu para 28,8% e, em seguida, para 30,1% em 2021. Para 2022, o desemprego cai para 27,6%.

No caso brasileiro, a pandemia aprofundou o processo de expansão da informalidade do trabalho – tendência que já vinha ocorrendo nos últimos anos. Segundo a OIT, a transição para o emprego formal em andamento em muitas economias da América Latina foi interrompida antes da pandemia.

“Durante grande parte da década de 2000, a taxa de informalidade estava caindo em muitos países da sub-região”, explicou. “De 2015 até o início da pandemia, no entanto, a mudança do trabalho informal para o formal na Argentina, Brasil, Equador, Panamá ou se inverteu ou se desacelerou. Em apenas alguns países (por exemplo, Paraguai, Peru), o processo foi sustentado”, disse.

O estágio inicial da pandemia teve um efeito sem precedentes nos mercados de trabalho da região, em parte porque o emprego informal não podia desempenhar seu tradicional papel anticíclico de absorver os trabalhadores deslocados do setor formal. Há sinais de recuperação, mas apenas no setor dos empregos informais.

“Os empregos informais foram responsáveis por mais de 70% da criação líquida de empregos desde meados de 2020 em muitos países da América Latina, incluindo Argentina, México e Peru, e por mais da metade do crescimento do emprego no Chile e na Costa Rica”, disse Samans. A recuperação do emprego no continente permaneceu incompleta: tanto o emprego formal quanto o informal permaneceram abaixo de níveis pré-pandêmicos na maioria dos países.

“Não pode haver uma recuperação real desta pandemia sem uma ampla recuperação do mercado de trabalho”, conclui Guy Ryder. “Para ser sustentável, essa recuperação deve ser baseada nos princípios do trabalho decente – incluindo saúde e segurança, equidade, proteção social e diálogo social.”

Com informações do UOL