O PCdoB pode ser um polo de atração para militância progressista

Foto: Rui Barbosa

Se depender de um fato recente e alvissareiro ocorrido no Espírito Santo, Município de Cariacica, podemos dizer que sim.

Por Claudio Machado*

Cariacica faz parte da Região Metropolitana de Vitória, é o terceiro maior município capixaba em população, com 378 mil habitantes e 262 mil eleitores (ambos estimados para 2018).

Entre os grandes municípios capixabas, é de longe o que apresenta menor orçamento per capta e o que convive com maiores problemas sociais, com as mais precárias infraestruturas educacional e de assistência à saúde. Sua população é majoritariamente constituída por trabalhadores e trabalhadoras cujos locais de trabalho, em sua maior parte, se localizam nos municípios vizinhos, sobretudo na construção civil e serviços.

A cerca de 2 meses um grupo de lideranças populares do município procurou o Partido manifestando interesse em se filiar. Queriam se vincular a um partido de esquerda e dentre os que estão organizados em Cariacica, optaram pelo PCdoB.

Muitas dessas lideranças jamais tiveram qualquer vínculo partidário, algumas são oriundas do extinto PRP e outros partidos, mas todas têm posições progressistas e de esquerda, com militância histórica em movimentos sociais e comunitários.

A grande motivação manifestada pelo grupo foi a decisão que tomaram em participar mais ativamente da política local e por isso escolheram o PCdoB, na visão deles, um partido de esquerda sério e que faz política com amplitude.

Temos em conta que a presença do ex-deputado federal Givaldo Vieira em nossa Partido e na presidência do Comitê Estadual exerceu grande influência na decisão tomada pelos novos e novas camaradas. Mas para além disso, pesou também a imagem que o PCdoB consolidou ao longo de sua história e sobretudo no período recente, no qual tem se destacado como uma referência qualificada de resistência ao golpe de estado que derrubou a presidenta Dilma, ao avanço do autoritarismo e na defesa da democracia.

As recentes filiações abrangem militantes do movimento cultural, movimento negro, LGBTs, dirigentes de associação de moradores e até um primeiro suplente de vereador, que vieram se somar e fortalecer o PCdoB no município, que passa a ter reais condições de construir uma boa e competitiva chapa de candidatos e candidatas a vagas na câmara municipal, ao mesmo tempo em que poderá também viabilizar uma candidatura ao cargo majoritário de prefeito.

A filiação dessas lideranças permitiu, de imediato, significativa ampliação da presença do Partido em muitos bairros e espaços de militância política e segmentos sociais onde tínhamos pouca ou nenhuma presença.

Um outro movimento semelhante, igualmente espontâneo, está ocorrendo em um município menor, do interior do estado, Afonso Claudio, com população de 33 mil habitantes.

Obviamente não podemos afirmar que estes dois fatos possam indicar uma tendência no ES, muito menos no Brasil, mas merece atenção, merece ser mais investigado, buscando compreender em mais detalhes os motivos que levaram esses grupos políticos a optarem pelo PCdoB, sobretudo considerando que ainda estamos sob forte influência da onda conservadora que avançou sobre o Brasil a partir de 2013.

*É secretário de Comunicação do Comitê Estadual do PCdoB no ES.