Novo ataque de Bolsonaro pode pôr em xeque relação Brasil-China

Novo ataque acontece durante evento sobre 5G

Foto: Marcos Corrêa/PR

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano [que] ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês”, disse Jair Bolsonaro em evento no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quarta-feira (5).

As recentes declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, reacendem a possibilidade de uma crise diplomática entre os países no momento em que o Brasil ultrapassa as 410 mil mortes por Covid-19 e tem na China o principal fornecedor de insumos para uma das vacinas utilizadas no país contra a doença, a coronavac – desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan.

Segundo Bolsonaro, o país asiático teria se beneficiado economicamente da pandemia e, assim como faz com a defesa da utilização da cloroquina, repetiu tese que não encontra respaldo em investigação da Organização Mundial da Saúde sobre as possíveis origens do vírus.

Ben Embarek, que lidera uma equipe de investigação da OMS sobre as origens do coronavírus, já afirmou que a hipótese de que o vírus “vazou” de um laboratório é “extremamente improvável”. A versão também é refutada por autoridades chinesas.

Para deputados do PCdoB, as novas declarações podem causar problemas diplomáticos e inviabilizar as relações entre os países.

O líder do PCdoB na Câmara, deputado federal Renildo Calheiros (PE), afirmou que as declarações “desastrosas” de Bolsonaro atrapalham, por exemplo, as negociações para importação do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), essencial para a produção da vacina contra a Covid-19.

“É hora de cooperação. Por que amplificar problemas? É absurdo o ataque de Jair Bolsonaro à China. Nosso maior parceiro comercial não pode ser alvo de leviandades. É inaceitável a insinuação de Bolsonaro. A OMS rejeita essa tese. E o fato é que a China é o principal fornecedor de vacinas para o Brasil: 84% dos imunizantes aplicados. Se não fosse essa ajuda, a tragédia seria ainda maior no país. É hora de Bolsonaro lutar para termos mais imunizantes e para viabilizar a vacinação rápida da população. Não deve mais gastar energia para criar problemas diplomáticos, que podem inviabilizar o fornecimento da Coronavac ao Brasil”, disparou o parlamentar.

“Bolsonaro, pessoalmente, em evento oficial da Presidência, levanta suspeita sobre a China ter criado o coronavírus para fazer uma guerra bacteriológica para obter benefício econômico. Enlouqueceu. Problema diplomático que pode inviabilizar as relações bilaterais. Impeachment já”, defendeu o vice-líder do PCdoB na Câmara, deputado federal Orlando Silva (SP).

A deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) lembra que Bolsonaro ataca o principal parceiro comercial do país e classifica como “absurda” a declaração do presidente.

“Bolsonaro ataca o país que é o nosso maior parceiro comercial no mundo. Acusar a China de querer instalar uma “guerra química” é um absurdo.  Nesse mesmo evento, o presidente voltou a reclamar da obrigatoriedade do uso de máscaras em meio à pandemia. Derrotar esse governo genocida está na ordem do dia”, pontuou.

Até o momento, a embaixada da China no Brasil não se manifestou sobre as declarações do presidente. No último ataque àquele país, feito na última semana pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, respondeu lembrando que “a China é o principal fornecedor das vacinas e insumos ao Brasil, que respondem por 95% do total recebido pelo país e são suficientes para cobrir 60% dos grupos prioritários na fase emergencial. A Coronavac representa 84% das vacinas aplicadas no Brasil”.

 

Por Christiane Peres

 

(PL)

 

(Atualizada em 05/05, às 18h, para inclusão de informação)