Na Espanha, 9 de cada 10 novos empregos em 2018 foram temporários

Em junho deste ano, cerca de um em cada três jovens não encontrava trabalho na Espanha

Do total de novos empregos registrados na Espanha no ano passado, 89,75% foram temporários. É o resultado da chamada “cadeia de contratos”, esquema adotado pelas empresas após a “reforma trabalhista” realizada em 2012 pelo governo de Mariano Rajoy, e que pode ser repicado por até dois anos.

“Desde que ingressei na firma em maio de 2018 assinei seis contratos temporários, o mais curto de um mês e o mais longo de seis, tendo ficado um mês sem trabalhar”, relatou Guillermo Rodríguez, que testa videogames em uma multinacional estadunidense com sede em Madri.

Com 29 anos, Rodríguez é o retrato da juventude pós-reforma, que viu seus direitos trabalhistas evaporarem. O uso abusivo deste expediente fez com que até mesmo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) tivesse que chamar a atenção do país ibérico para a necessidade de que os contratos fixos e temporários sejam equilibrados e não tenham tanta discrepância.

Em 2012, após o Congresso espanhol aprovar a “reforma trabalhista” impulsionada pelo Partido Popular (PP), Rajoy afirmou que ela era tudo o que bastava para o país “crescer e gerar empregos”. Passados sete anos, a nação é uma das mais precarizadas da União Europeia (UE), tendo a juventude como uma das suas principais vítimas.

Um levantamento realizado pelo Banco da Espanha, divulgado nesta semana, informou que os jovens são um coletivo que recebe menos do que há uma década, quebrando uma lógica de 30 anos na qual sempre a nova geração superava os ganhos da anterior.

O Centro Europeu de Estatística assinalou que em, junho deste ano, cerca de um em cada três jovens não encontrava trabalho na Espanha, número que é o dobro da média dos 28 países que compõem o bloco, situado em torno de 14,3%. Por outro lado, o trabalho temporário, uma verdadeira epidemia no país, ficou em 26,8% no ano passado, muito acima dos 14,2% da média da UE.

Conforme reconhece o próprio Banco da Espanha, o principal responsável por este retrocesso é precisamente a reforma trabalhista de Rajoy que, vendida como “salva-vidas”, submergiu a economia em um mar de precariedade e degradação salarial. Rodríguez recebe 1.100 euros por mês, mas gasta 675 euros para residir ao sul de Madri. Os trabalhadores espanhóis ganham hoje 80% da média salarial europeia.