Movimento sindical enaltece legado de Vital Nolasco

Lideranças e entidades do movimento sindical lamentaram a morte do líder operário e militante histórico do PCdoB Vital Nolasco. Vítima de complicações de uma fibrose pulmonar, Vital morreu na madrugada desta quarta-feira (19), aos 75 anos, em São Paulo. Seu legado como militante e sindicalista foi enaltecido por diversas entidades.

Os presidentes da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Adilson Araújo, e da Fitmetal (Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil), Marcelino da Rocha, divulgaram uma nota conjunta. “O sindicalismo classista se despede hoje (19/1) de Vital Nolasco, um operário metalúrgico que se tornou grande referência sindical para as nossas gerações”, aponta o texto. “Em quase 55 anos de vida pública, Vital participou de momentos marcantes do movimento sindical, especialmente na resistência ao regime militar (1964-1985).”

Mineiro de Belo Horizonte, onde nasceu em 1946, Vital iniciou sua militância ao se aproximar da JOC (Juventude Operária Católica), na década de 1960. A exemplo de outras lideranças do período, engajou-se na luta conta a ditadura. “Foi contra esse criminoso regime de arbítrio e terror que Vital fez, ainda jovem, a opção de lutar. Com apenas 21 anos, participou ativamente das duas greves dos metalúrgicos de Contagem, em 1968”, lembra a nota da CTB e da Fitmetal.

Além de ter sido dirigente de dois sindicatos de trabalhadores metalúrgicos – o de BH/Contagem (MG) e o de São Paulo (SP) –, Vital fundou e presidiu duas entidades voltadas aos trabalhadores: o Centro de Cultura Operária (CCO) e o Centro de Estudos Sindicais (CES, de 1985).

“Vital Nolasco foi um operário e um sindicalista exemplar porque sempre lutou em defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras, do sindicalismo classista e do Brasil. Ao falecer, deixa-nos, além da saudade, um sem-número de ensinamentos do que fazer para emancipar a classe trabalhadora e transformar a sociedade no rumo do socialismo”, afirmam Adilson e Marcelino. “‘Vale a pena lutar’ eternamente como Vital!”, conclui a nota, numa alusão ao título da biografia Vital Nolasco – Vale a Pena Lutar.

Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e da Força Sindical, lembrou que Vital, como vereador (1989-1996), foi autor da lei do “passe livre” para trabalhadores desempregados. “Nossos profundos sentimentos à família e aos amigos do companheiro Vital Nolasco, que ficará para sempre na memória de todos como uma liderança histórica, uma pessoa digna, que lutou pela categoria metalúrgica, pela classe trabalhadora e pelas causas democráticas e sociais”, assinalou Miguel.

“Adeus a um herói da classe operária” foi o título do artigo que Carlos Pereira, ex-secretário-geral da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), escreveu no Hora do Povo em homenagem a Vital. “Ainda me recordo da marcante impressão que me causou ao reencontrá-lo, mais demoradamente, 20 anos depois de nossa convivência no movimento sindical”, registrou. Esse reencontro ocorreu em março de 2019, no Congresso que selou a incorporação do PPL ao PCdoB. Pereira destacou “a firmeza e a serenidade no jeito de falar” de Vital.

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo ressaltou o vínculo do líder operário e comunista com a categoria: “Vital participou de todas as lutas recentes dos metroviários. Acompanhou e colaborou na luta pela permanência da sede nas mãos dos metroviários e das batalhas por melhores salários e condições de trabalho”, indicou a entidade, em nota. Conforme o sindicato, “Vital está marcado pelo apoio às lutas dos trabalhadores, pelas causas democráticas e pelo socialismo”.

O Sintect-SP – que representa os trabalhadores dos Correios na maior parte do estado – também frisou o envolvimento de Vital com os trabalhadores. “Perdemos um importante companheiro de luta dos direitos trabalhistas e sociais”, expressou a entidade. “Vital Nolasco sempre foi um guerreiro, defensor incansável dos direitos dos trabalhadores dos Correios. Participou ativamente no último ano da campanha nacional dos ecetistas, que barrou a votação do PL 591. Sua história está registrada de um grande militante das causas trabalhistas, cheio de sonhos e com forte atuação política.”

A perda de um “líder operário e sindical de relevância nacional” foi sentida igualmente no Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região (RS), “Vital dedicou uma vida inteira na luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e por um país mais justo e desenvolvido. Atuou no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, sendo liderança em diversos momentos decisivos da luta sindical”, enfatizou a entidade.