Moscou e ONU exortam Armênia e Azerbaijão a um cessar-fogo

Artilharia do Azerbaijão dispara na região do enclave armênio. Moscou pede fim das hostilidades | Foto: Reuters

A Rússia reiterou às ex-repúblicas soviéticas da Armênia e Azerbaijão que sejam envidados todos os esforços para evitar uma nova escalada do conflito na região de Nagorno-Karababk, e que o mais importante é “um cessar-fogo”.

A conclamação foi feita na segunda-feira (28) pelo presidente Vladimir Putin, em conversa telefônica com o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, sobre o conflito, que já causou dezenas de mortos e feridos. Os combates entraram pelo segundo dia.

Também o Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, condenou o uso da força e apelou às partes “para que regressem imediatamente às negociações construtivas”. O anúncio foi feito pelo porta-voz, Stephane Dujarrik, que anunciou que Guterres vai manter conversações com o primeiro-ministro da Armênia e o presidente do Azerbaijão.

Os confrontos armados eclodiram no domingo (27) e os dois lados decretaram lei marcial. Armênia e Azerbaijão trocaram acusações mútuas sobre de onde partiu a fagulha que incendiou a região. Baku denunciou “provocações militares” do lado armênio, enquanto Yerevan atribuiu o “início da ofensiva” a tropas azerbaijanas.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, manteve imediatamente conversas telefônicas com seu homólogo armênio Zohrab Mnatsakanyan, bem como com o ministro das Relações Exteriores do Azerbaijão, Jeyhun Bayramov, a quem pediu o cessar-fogo e início de um diálogo.

Nagorno-Karababk é uma região predominantemente armênia, que fazia parte do Azerbaijão socialista, mas como república autônoma, dentro da URSS. Quando a URSS se desintegrou, a população local se recusou a ficar sob a soberania azerbaijã, e foi proclamada uma república local (Artsakh), conflito ainda sem solução e que já passou por vários momentos de ignição. No período de 1991 a 1994, hostilidades ativas ocorreram na região.

Segundo o secretário de imprensa do presidente do enclave armênio, Vahram Poghosyan, a cidade de Stepanakert foi bombardeada. “Todos os assentamentos fronteiriços, assim como a capital Stepanakert, estão sob fogo. Todos os alvos civis estão sob a mira de uma arma”.

Por sua vez o presidente em exercício da Organização para a Segurança e Cooperação Europeia (OSCE), o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, pediu um cessar-fogo imediato. “Exorto todos os envolvidos a voltarem imediatamente ao cessar-fogo antes que o número de mortos no conflito cresça ainda mais”, afirmou.

O apelo foi ecoado pelo alto representante da União Europeia para assuntos externos, Joseph Borrell. “Não há solução militar para o conflito”, enfatizou a UE, convocando uma volta às negociações.

Ambos os lados relataram perdas. De acordo com Yerevan, 84 soldados armênios foram mortos nos confrontos de domingo e outros 200 ficaram feridos. Os ataques mais intensos ocorreram no vale do rio Aras, perto da fronteira com o Irã, e na frente Matagis-Talish no nordeste da região, segundo o porta-voz do Ministério da Defesa da Armênia, Artsrun Hovhannisyan. Ele afirmou que o lado azerbaijano perdeu 22 tanques e uma dúzia de outros veículos, junto com 370 mortos e muitos feridos. Um avião An-2 teria sido derrubado. Tropas do Azerbaijão atacaram mais de 50 assentamentos, causando danos em infraestrutura, linhas de transmissão, gasodutos e automóveis. Segundo Baku, são 19 os civis azerbaijanos feridos. Fontes armênias acusaram o regime turco de ingerência no conflito, do lado dos azerbaijanos.