Mário Fonseca: Brasil tem pressa para investigar indústria de fakes

Mário Fonseca é jornalista e pré-candidato pelo PCdoB a prefeitura de Campo Grande-MS

Foto: divulgação/Vinícius Galharte

Roberto Jefferson, Carla Zambelli, Bia Kicis, Luciano Hang da Havan, Sara Winter (nazista assumida, acolhida pelo bolsonarismo) e mais gente ligada aos filhos 02 e 03, por via de consequência, ao Zero Pai, receberam visita da PF hoje, autorizada pelo STF (ministro Alexandre de Moraes). Na terça-feira (26), fizeram festa com a operação da PF, autorizada pelo STJ, em cima do ex-aliado Witzel, que agora é quem faz festa. Só não faz festa o povo brasileiro, ameaçado pelo avanço da pandemia, da quebradeira econômica, do desemprego e do descalabro social, crise que teria sido amenizada não fosse o desgoverno perverso de Bolsonaro, Mensageiro da Morte e do Caos.

Por Mário Fonseca*

Sim, há uma briga de facções nessa história. Apesar de todo o esforço de Bolsonaro para aparelhar a PF, remanesce certa influência tucana de outrora e setores que nos últimos anos estabeleceram fortes laços com o lavajatismo. No Judiciário e no Ministério Público, há bolsonaristas, mas a influência do lavajatismo é mais forte, sobretudo no STF. Não por acaso, Weintraub falou em prisão dos ministros do STF, dos garantistas ao bloco da Lava Jato.

Nessa briga, eu me posiciono sim: se há indícios de crimes no governo do Rio de Janeiro, que sejam investigados e, uma vez provados, que seus respectivos autores, co-autores e partícipes sejam punidos à luz das regras do estado democrático de direito. No entanto, ainda neste caso, declarações de bolsonaristas na véspera da operação, sugerindo que estavam informados da mesma, podem macular as investigações e, pior, indicam que Bolsonaro pode estar interferindo na PF não apenas para blindar a si, seus filhos e aliados, como também tentando montar sua Gestapo (polícia política) para perseguir desafetos. Senão vejamos o Diário Oficial da União as várias mudanças na estrutura da PF.

 Quanto à operação desta quarta-feira (27), defendo que as investigações e seus desdobramentos também transcorram sob as regras do estado democrático de direito, com todo o rigor e celeridade, claro, dentro do que permite a legislação. Há não só indícios fortíssimos, como fatos notórios que implicam principalmente o 02 (Carlos Bolsonaro), segundo o presidente, o seu preferido, o seu pit bull, aquele que comanda o serviço sujo em benefício de seu genitor.

A indústria de fake news do bolsonarismo não é coisa de amadores, montada em fundo de quintal. É um aparato poderoso, financiado por empresários delinquentes, com recursos tecnológicos de ponta e, desconfio muito, com o dedo do governo dos EUA, quicá de Israel. O 03 (Eduardo Bolsonaro), também implicado na CPMI das Fake News e nessa investigação correlata no STF, vivia desfilando por aí com camisa do Mossad, o temido serviço secreto israelense.

Essa indústria mata reputações não apenas de lideranças políticas e sociais tomadas individualmente. Mata a reputação de tudo o que se liga aos valores da democracia e da civilização. Mira a ciência, a educação, a cultura, a imprensa e as liberdades democráticas, individuais e coletivas. Em nome de um falso patriotismo, mata a soberania nacional para entregar nossas riquezas e tudo o que foi construído ao longo de décadas, mesmo de séculos, ao estrangeiro, garantindo o quinhão para os ricaços escravocratas daqui, traidores da Pátria, às custas da miséria do povo. Mata a reputação do Brasil no mundo, a tradição multilateralista da nossa diplomacia. Mata, junto com isso, o nosso comércio exterior.

 Agora, em meio à pandemia, essa máquina de repetição robotizada de mentiras, que causa inveja a Goebbels e Hitler lá no inferno, ajuda a matar brasileiros, CPFs e CNPJs dos pequenos empresários, matando junto milhões de empregos. E ameaça matar as instituições da democracia. Que sejam apurados os fatos, que podem evidenciar crimes não só cometidos no curso do atual mandato presidencial, como também antes para fraudar a vontade popular nas urnas, o que pode dar ensejo à cassação da chapa e à realização de novas eleições. A nação tem pressa.
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