Márcio Jerry defende dinheiro na conta de pequenas e micro empresas

Foto: Agência Câmara

Nesta sexta-feira (31), o vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA) voltou a cobrar urgente apoio do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) ao segmento empresarial. Para o parlamentar, a “inércia irresponsável” do presidente é o principal fator da acentuação da crise econômica que afeta micro e pequenas empresas, já abaladas pela pandemia do coronavírus.  Usando o exemplo defendido pelo governador do Maranhão, Flávio Dino, o deputado pediu a injeção direta de recursos para apoiar empresários no resgate do setor.

Por Nathália Bignon

“Novos dados do IBGE revelam agravamento da situação financeira das empresas no Brasil. Micro e pequenas empresas fortemente afetadas. O quadro, que já é ruim, tem tendência de piorar ainda mais nos próximos meses. Mas, diante dos dados, Jair Bolsonaro mantém a inércia irresponsável. Como tem defendido à exaustão o governador Flávio Dino, as micro e pequenas empresas (MPE’s) precisam de socorro emergencial urgente, de ‘sangue’ na veia, dinheiro direto para reagir aos efeitos da crise. O governo federal dispõe de recursos e meios para fazer isso”, apontou Jerry.

Divulgada nesta quinta-feira (30), a pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para medir o impacto da crise sanitária sobre as empresas brasileiras apontou que 62,4% dos 2,8 milhões de empresas em funcionamento no país foram afetadas na segunda quinzena de junho em razão do avanço da doença. O impacto foi maior em empresas de pequeno porte, aquelas com até 49 funcionários, o maior contingente da amostra, em que 62,7% perceberam efeitos negativos, ante 46,3% das de porte intermediário, com até 499 funcionários, e 50,5% entre as de grande porte, com 500 funcionários ou mais.

Como saída para a crise, o deputado declarou que a imediata colaboração do Governo Federal será decisiva para a recuperação econômica das MPE’s. Ele afirmou que o apoio funcionaria como uma complementação ao trabalho do Congresso, que tem atuado para aprovar a facilitação de empréstimos. Na última quarta, a Câmara aprovou, por exemplo, a Medida Provisória 944/20, que concede uma linha de crédito especial para empresários pagarem sua folha de salários durante o estado de calamidade pública.

“A realidade está mostrando que assegurar empréstimos em condições mais favoráveis, como aprovamos na Câmara, é importante, mas insuficiente. É muito baixo o percentual utilizado do que já foi disponibilizado para empréstimos”, disse.

De acordo com um levantamento divulgado pelo Ministério da Economia em julho deste ano, até o momento, o governo gastou 43% dos recursos federais destinados ao combate à pandemia da covid-19. Passados cinco meses desde o início da situação de emergência, a estimativa é que seis em cada dez micro, pequenas e médias empresas iniciaram julho sem acesso ao crédito prometido pelo governo. Dados do Sebrae indicam que o Brasil tem 16 milhões de empreendedores registrados. Eles são responsáveis por cerca de 52% dos empregos disponíveis no país, onde pelo menos 54 milhões de pessoas perderam renda na crise agravada pelo vírus.