Manuela: Será uma tragédia a saída dos cubanos do Mais Médicos

A deputada estadual do PCdoB-RS, Manuela d’Ávila, comentou em suas redes sociais sobre a saída dos profissionais cubanos do programa Mais Médicos no Brasil. Para ela, a ação afetará principalmente às famílias mais pobres, crianças necessitadas e velhos em desamparo. A parlamentar pediu desculpas aos cubanos e registrou a solidariedade que eles sempre dedicaram aos povos do mundo.Manuela d’Ávila afirmou que “o fim da participação dos médicos cubanos no Mais Médicos é uma primeira tragédia da ideologização e da loucura persecutória contra a esquerda que está em curso em nosso país”.

Segundo a parlamentar mais de 30 milhões de famílias ficarão sem médicos. Para ela, serão afetadas as famílias mais pobres, as crianças que necessitam, a velhice desamparada.

Manuela registrou ainda que o respeito e o carinho que o generoso povo brasileiro dedicou aos médicos cubanos em retribuição aos gestos de amor dos profissionais que vieram para o Brasil. “A eles o nossos muito obrigado e o nosso pedido sentido e sincero de desculpas”, afirmou.

A deputada destacou ainda que “em algum tempo, com nossa luta, voltaremos a ser o país que vocês, amigos cubanos, conheceram no contato com nosso povo. E tenho certeza que Cuba não faltará ao Brasil, como não faltou a nenhum povo do mundo que precisou da solidariedade dos cubanos”.

O impacto da tragédia

A atitude precipitada do presidente eleito Jair Bolsonaro, que sempre atacou o programa Mais Médicos pelo viés ideológico, ignorando seus benefícios ao povo brasileiro terá graves consequências. Com o fim da Cooperação com a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e do do Governo de Cuba, o Programa Mais Médicos perderá mais de 8.500 médicos cubanos – mais da metade do total – dos locais onde estão hoje trabalhando.

Os profissionais de Cuba estão em 2.885 municípios, a maioria deles na região Norte do país, no semiárido nordestino, nas cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), atenção a saúde indígena e nas periferias de grandes centros urbanos. Ou seja, nas áreas mais vulneráveis. Há 1.575 municípios brasileiros em que o Mais Médicos só conta com médicos cubanos, sendo que 80% desses municípios têm população com menos de 20 mil habitantes. Existem 300 médicos cubanos atuando nas aldeias indígenas, o que equivale a 75% dos médicos que atuam na saúde indígena do país.