Manuela: “não existe emancipação humana sem emancipação das mulheres”

A dura realidade do Afeganistão e em especial de suas mulheres inspirou a jornalista e ex-deputada do PCdoB, Manuela d’Ávila, a se debruçar sobre o tema e a tratar da tutela dos corpos femininos, do machismo e da opressão que enfrentam. Numa postagem feita nesta terça-feira (17) em suas redes sociais, Manuela destacou: “não existe emancipação humana sem emancipação das mulheres”.

Manuela lembrou as imagens dilacerantes das pessoas fugindo e das mulheres em pânico no Afeganistão que têm circulado o mundo e destacou: “Nós, mulheres que lutamos, sabemos que essas imagens habitam nossos pesadelos mais íntimos porque sabemos como somos odiadas pelos homens de extrema-direita”.

Por fim, Manuela convida para programa que será veiculado pelo Youtube da Fundação Maurício Grabois, na próxima sexta-feira (20), às 18h, com o ex-chanceler Celso Amorim e Ana Prestes, integrante da comissão de Relações Internacionais do PCdoB.

 

Leia a íntegra da opinião de Manuela d’Ávila:

 

Simone de Beauvoir dizia que bastava uma crise política, econômica ou religiosa para os direitos das mulheres serem questionados. As imagens dilacerantes das pessoas fugindo e das mulheres em pânico no Afeganistão circulam.

Mulheres como eu e minha filha. Como minha mãe e minhas irmãs. As imagens se pareciam com a obra de Margaret Atwood, “O conta da Aia”, e são reveladoras de uma realidade dilacerante: a tutela absoluta sobre os corpos das mulheres.

Essa tutela se revela pela proibição do trabalho feminino fora de casa, proibição do estudo em escolas e universidades, proibição de andar na rua desacompanhada por um homem, obrigatoriedade do uso da burca (percebam, a tutela não se dá pelo uso do véu, mas pela obrigatoriedade dele), proibição de participar de reuniões públicas e aparecer na TV. As mulheres são proibidas até de rirem em tom mais alto.

Nós, mulheres que lutamos, sabemos que essas imagens habitam nossos pesadelos mais íntimos porque sabemos como somos odiadas pelos homens de extrema-direita.

Parece óbvio, mas é preciso repetir, como fez minha amiga Ana Prestes: “Qualquer análise a ser feita sobre o Afeganistão precisa passar pelo fato de que as mulheres afegãs não foram ouvidas e hoje serão as maiores vítimas do culminar de uma tragédia social e política gestada há décadas no país. Nenhuma emancipação humana é possível sem as mulheres.”

Depois de uma ocupação desastrosa, que matou dezenas de milhares de civis, os Estados Unidos se retiraram fazendo um pacto com o Taleban em fevereiro de 2020. A saída atabalhoada dá a ideia de um erro, de improviso, mas a entrega foi um plano. Os EUA são, portanto, responsáveis conscientes e não acidentais por tudo o que está acontecendo.

Temos muito a falar sobre o Afeganistão, sobre a situação do país depois da permanência dos EUA, sobre a origem do Taleban como movimento anti-comunista, fomentado pelos EUA durante a Guerra Fria, sobre a situação da Rússia e da China na região.

Todos esses debates só podem ser feitos levando em conta a premissa de que não existe emancipação humana sem emancipação das mulheres e que elas resistem. Essas mulheres da imagem resistem dizendo que trabalho, educação e participação política são seus direitos.


Para assistir ao programa da TV Grabois, clique aqui

 

Por Priscila Lobregatte