Manifestantes exigem prisão para policiais racistas em Minneapolis

Protestors demonstrate outside of a burning fast food restaurant, Friday, May 29, 2020, in Minneapolis. Protests over the death of George Floyd, a black man who died in police custody Monday, broke out in Minneapolis for a third straight night. (AP Photo/John Minchillo)

Confrontos se acirram entre manifestantes e Guarda Nacional chamada a conter protestos

(VoA News)

Apesar do toque de recolher, Minneapolis teve a segunda noite de protestos pela morte de Daunte Wright, o jovem negro morto por disparo de uma policial no último domingo (11).

Os manifestantes se reuniram perto da cerca instalada ao redor da delegacia de polícia de Brooklyn Center, o subúrbio onde Daunte Wright foi morto, e exibiram cartazes com frases como “Prendam todos os assassinos racistas”, “Eu sou o próximo” e “Sem justiça não há paz”.

Wright foi baleado em uma abordagem a seu veículo, na mesma cidade dos Estados Unidos onde ocorre o julgamento de outro policial, Derek Chauvin, por ter asfixiado até a morte o negro George Floyd.

Usando uma força de repressão desmedida, a polícia usou gás lacrimogêneo em vários momentos e ordenou a dispersão dos manifestantes. Cinquenta pessoas foram detidas. Além do toque de recolher decretado pelos prefeitos das cidades de Minneapolis e Saint Paul e nos três condados da área metropolitana, incluindo Hennepin, onde aconteceu o crime, mil soldados da Guarda Nacional patrulham as ruas para evitar mais distúrbios.

“As injustiças que ocorreram nas últimas 24 horas não foram apenas dolorosas, mas também calculadas e metódicas, sem remorso ou consideração pela dor que nossa comunidade está experimentando coletivamente”, disse Matt Branch, um dos manifestantes, ao jornal Star Tribune. “Estamos aqui hoje em nome de Daunte e de todas as vidas perdidas nas mãos da polícia.”

Autoridades judiciais do Estado de Minnesota publicaram em um comunicado a identidade da agente que atirou em Daunte. Kimberly Potter, policial de Brooklyn Center há 26 anos, foi suspensa. No vídeo do incidente, registrado pela câmera da policial, os agentes retiram o jovem do veículo e tentam algemá-lo. Mas ele resiste e volta a entrar no carro. É possível ouvir a policial gritar “Taser, Taser”. Mas o que se ouve é um tiro.

“Que merda, eu atirei nele”, afirmou a oficial, enquanto Wright, mortalmente ferido, avançou com o carro, que bateu algumas ruas adiante. A polícia insiste em que foi um acidente.

Por causa da comoção, as partidas da NBA, MLB e NHL previstas para segunda-feira na região foram suspensas.

Após o aumento dos protestos, a defesa do ex-agente acusado pela morte de Floyd, Derek Chauvin, pediu ao juiz que conduz o processo que isolasse o júri, preocupado que as manifestações pudessem influenciar sua decisão. Mas tanto a promotoria quanto o juiz se recusaram a atender ao pedido de isolamento dos integrantes do júri.

Chauvin responde a acusações de homicídio culposo e doloso em segundo grau por seu papel na morte de Floyd, após imobilizá-lo colocando o joelho sob seu pescoço quando ele havia sido preso por supostamente ter feito um pagamento com uma nota falsa.

Na segunda-feira, a acusação interrogou o cardiologista Jonathan Rich, que descalçou a linha de defesa de Chauvin, cujo advogado alega que George Floyd morreu por overdose de fentanil somado a fatores de saúde.

Rich afirmou que a morte ocorreu devido aos baixos níveis de oxigênio induzidos pela “asfixia posicional” a que foi submetido. “Não vejo nenhuma evidência de que uma overdose de fentanil tenha causado a morte de Floyd”, ressaltou. Um dos irmãos da vítima, Philonise Floyd, apresentou a um quadro da personalidade de George Floyd, ao recordar com emoção histórias de sua infância.