Má gestão de Trump frente à pandemia derruba sua aprovação

Reprovação de Trump piora cinco pontos percentuais, para 56%, na nova pesquisa - foto AFP

A avalanche de mortos nos EUA por coronavírus, sob a inépcia e obscurantismo do governo Trump, segue minando a avaliação do presidente, como mostrou pesquisa de opinião Reuters/Ipsos que registrou que o desafiante democrata Joe Biden está oito pontos percentuais à frente dele entre os eleitores registrados para votar.

A pesquisa realizada na segunda e terça-feira (12) mostrou que 56% desaprovam o desempenho de Trump como presidente, contra 41% de aprovação.

Essa pesquisa complementa outra, da CNN, sobre o enfrentamento da pandemia, que registrou que 62% não confiam no que Trump diz sobre a Covid-19.

Em relação à pesquisa anterior Reuters/Ipsos, realizada em meados de abril, a reprovação a Trump aumentou em cinco pontos percentuais.

Também em relação à eleição de novembro, a vantagem de Biden sobre Trump aumentou para oito pontos percentuais, sendo antes de dois pontos percentuais.

Assim, 46% dos eleitores registrados disseram que votariam em Biden, contra 38% que continuam preferindo Trump.

É exatamente em relação à resposta de Trump à pandemia que é maior a diferença entre a rejeição e os que a consideram adequada: nada menos 13 pontos percentuais, um recorde desde que as pesquisas incluíram a pergunta, em março.

Considerando que, como afirmou um epidemiologista de Yale, a ação de Trump em relação à pandemia é quase “genocídio por omissão”, o presidente ainda tem muito a desidratar entre os eleitores.

Depois de ter dito e repetido em comícios que a Covid-19 era uma “gripe comum” que passaria “com o calor da primavera”, Trump deixou passar batidas seis preciosas semanas, desde a primeira morte por coronavírus nos EUA, sem tomar qualquer medida de contenção, a não ser quando a pilha de cadáveres em Nova Iorque e o iminente colapso de hospitais e necrotérios derrubou Wall Street no meio de março.

A contragosto, teve de aderir ao “fique em casa”, que buscou sabotar propondo reabrir “até à Páscoa”. Com a curva de contágio descontrolada e na ascendente, recuou, para voltar à carga com o reabre geral de 1º de maio, já em curso.

Quase todos os Estados que já reabriram estão desrespeitando as próprias normas mínimas definidas pela força-tarefa contra a pandemia da Casa Branca, a principal delas, de novos casos em declínio por 14 dias.

Assim, os Estados Unidos se tornaram o recordista mundial em casos confirmados (mais de 1,3 milhão) e o total de mortos já se aproxima de 90 mil; enquanto em nenhum outro país o desastre econômico desencadeado pela imperiosa necessidade de suspender todas as atividades não-essenciais foi tão fundo, o que retratado nos 33 milhões de desempregados em menos de dois meses.

Trump acaba de entrar em choque com o principal infectologista dos EUA, o quase octagenário Anthony Fauci, mundialmente reconhecido pela contribuição ao controle da Aids, por ter, em depoimento ao Senado, advertido que reabrir a economia prematuramente causaria uma segunda onda da pandemia, no outono, fazendo retroceder tudo que houvesse de retorno da economia conseguido.

Fauci também advertiu contra a pressão para reabrir as escolas, advertindo que até o início do ano letivo nos EUA, em setembro, não estará disponível uma vacina, e que, embora inicialmente tenha havido a percepção de que as crianças são imunes aos efeitos mais deletérios da Covid-19, surgiram casos de uma estranha síndrome, que está matando crianças, havendo o registro de pelo menos 100 crianças afetadas.

Como seu slogan fake da campanha de reeleição “Mantenha a América Grande de Novo” esbagaçado pelo coronavírus, Trump adotou agora o “Reabra a América de Novo”, seja o preço – em vidas – que for.

Trump também se meteu a prescrever uma droga antimalária, a hidroxicloroquina, contra a Covid-19, cujo uso vem sendo desaconselhado pela maioria dos estudos clínicos recém realizados. O presidente provocou ainda uma onda de intoxicações após sugerir pela tevê que injetassem água sanitária ou álcool isopropílico no pulmão do doente para liquidar o vírus, além também de aplicação de “luz forte”.

Trump também se nega a dar o exemplo, usando a máscara facial, apesar do coronavírus já ter infectado assessores dele e do vice Pence, e convocou fanáticos a passarem por cima da quarentena para “libertarem Michigan” e outros Estados e cidades que tentam manter o distanciamento social.

Tirando Nova Iorque – como assinalou o governador Cuomo -, onde o patamar de novos casos ainda é alto mas está em declínio, no resto dos EUA, onde está reabrindo geral, a pandemia está fora de controle.

Conforme Trump, ele não tem culpa de nada, e se o desastre é grande, a culpa é da China e da Organização Mundial da Saúde (OMS), e não da sua incúria e crença no terraplanismo biológico.

Segundo a avaliação da agência Reuters, Biden tem estado à frente de Trump nas pesquisas, mas esta semana mostrou uma erosão maior na sustentação do presidente. Ainda assim a pesquisa diz que o público vê Trump “como o candidato mais forte para a criação de empregos”.

A pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada online, no país inteiro, com 1.112 adultos norte-americanos, incluindo 973 que se identificaram como eleitores registrados. O intervalo de precisão é de quatro pontos percentuais.

Uma outra pesquisa, também divulgada na terça-feira, da SSRS/CNN, mostrou uma vantagem menor para Biden, de cinco pontos percentuais, 51% contra 46% para Trump.

Sobre os dois principais temas da campanha de reeleição, economia e pandemia, a pesquisa coincide em termos gerais com a da Reuters/Ipos.

Biden é o mais confiável, de acordo com os entrevistados, para lidar com a resposta à pandemia, por 51% a 45%, e, ainda, para cuidar da saúde (54% a 42%).

A pesquisa revelou que a demagogia de Trump sobre a economia ainda tem apelo no público, com 54% o considerando “mais capacitado”, contra 46% para Biden.

Outras cinco perguntas fornecem um roteiro da percepção, entre a população, de quem é Trump. “Que candidato uniria o país e não o dividiria?”: 55% responderam Biden, contra 38% para Trump – nada menos de 17 pontos percentuais de diferença.

“Quem se importa mais com gente como você?”: 54% para Biden versus 42% para Trump.

“Quem é honesto e confiável?”: 53% escolheram Biden, e 38% ficaram com Trump.

“Quem é mais capaz de administrar o governo efetivamente?”: 52% Biden a 45% Trump.

E, por último mas não menos importante: “em quem se pode confiar em uma crise?”: 51% para Biden a 45% Trump.

Uma pergunta possivelmente mostrou que o apelido de “Joe Sonolento” que Trump vem tentando colar em Biden não está pegando: a pergunta “quem tem mais energia?”, foi quase empate, 49% a 46%.

Entre os 14% de eleitores registrados que dizem que tem uma impressão negativa tanto de Trump quanto de Biden, o ex-vice-presidente é o claro favorito: 71% disseram que votariam em Biden, e 19%, em Trump.

A pesquisa foi realizada por telefone de 7 a 10 de maio, com uma amostra aleatória de 1112 adultos, que incluiu 1001 eleitores registrados, e com erro de amostragem de mais ou menos 3,7 pontos percentuais.