A presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, participou nesta quarta-feira (6) de transmissão ao vivo, pela internet, promovida pelo PCdoB Bahia. Ela conversou com o presidente do comitê estadual da legenda, Davidson Magalhães e a secretária estadual de Comunicação do PCdoB Bahia, Nágila Maria, sobre os impactos do coronavírus no cenário político nacional e os últimos desdobramentos das numerosas crises provocadas pelo presidente Jair Bolsonaro.

Na avaliação de Luciana, que leva em conta previsões de especialistas com queda do PIB de 11%, que a “quebradeira é inevitável”. Além disso, a crise política tem “subido degraus”, com as constantes ameaças autoritárias do presidente. E, apesar da atuação do chamado “Gabinete do Ódio” e da manutenção de um “núcleo duro de apoiadores”, na opinião de Luciana, Bolsonaro vai se isolando mais e mais.

Questionada sobre apoio do partido ao impeachment do presidente, Luciana Santos explicou que a linha do PCdoB tem sido, há bastante tempo, a de convocação de um frente ampla de salvação nacional. Mas que tudo deve ser medido conforme o cenário político que se apresenta.

“Até pouco tempo nosso entendimento era de que ter impeachment como bandeira mais ajudava Bolsonaro e a agenda de acirramento que ele tem. Esta é uma das variáveis que ele sempre buscou para explorar o ambiente antipetista que ainda existe na sociedade brasileira. Evitamos essa polarização porque interessava ao jogo do Bolsonaro”, refletiu.

Assim, a dirigente partidária enfatizou que todo momento é de analisar.

“Precisamos entender a correlação de forças e as condições objetivos e subjetivas para isso [processo de impeachment]”, ponderou, lembrando que não há, por exemplo, votos suficientes no Congresso. E reforçando que a opinião do partido é de que será fundamental ampliar as forças contrárias ao presidente e reuni-las numa frente ampla.

Agora, por exemplo, Luciana enfatizou termos a mesa os impactos na base social e ideológica do bolsonarismo da renúncia do ex-ministro da Justiça Sergio Moro do cargo que ocupava desde a primeira hora do governo Bolsonaro.

Crises e crises

Luciana destacou ainda que o momento é “singular”, na medida em que a pandemia acentua situações que já eram críticas. Um exemplo é a crise econômica e o desemprego, efeitos diretos, enfatizou a dirigente, da “política neoliberal comandada por Paulo Guedes e Bolsonaro” e “o desmonte de políticas públicas”, como o Bolsa Família e o programa Mais Médicos, bem como o desmonte de toda a lógica que norteia o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

A dirigente do PCdoB chamou atenção também para os aspectos subjetivos da crise.

“A batalha ideológica camaradas, não subestimemos”, conclamou. “Nós comunistas temos que fazer, também diante do covid—19, o enfrentamento da batalha de ideias”, afirmou, lembrando que a luta é internacional. Não por acaso, o presidente dos EUA, Donald Trump, diz que esta é uma “doença chinesa”.

“Como sempre os comunistas precisam agir com sagacidade, serenidade e determinação para fazer valer direitos dos mais vulneráveis e para que chegue o socorro aos estados e municípios [na pandemia, pois precisam atender a população]”, explicou, reforçando a atuação da bancada do PCdoB na Câmara.

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