"Beth Carvalho, mais uma estrela no céu", por Luciana Santos

“O coisinha tão bonitinha do pai/ O coisinha tão bonitinha do pai”.  Em 1997, foi com estes versos cantados pela Madrinha do Samba, Beth Carvalho, que um robô, programado pela engenheira brasileira da Nasa, Jacqueline Lyra, acordou em Marte, tão longe da Terra e do Rio de Janeiro.

 

Por Luciana Santos*

Nem a própria Beth Carvalho poderia ter imaginado que sua voz e sua música iriam tão longe! Hoje, 30 de abril, ela deve estar encantando os anjos: nesta terça-feira a Madrinha do Samba despediu-se da vida.

Foram mais de 50 anos dedicados à música – desde a década de 1960, e profissionalmente desde 1968. Esta brasileira incrível fez o Brasil e grande parte do mundo cantar e dançar na cadência do samba – e, depois, do pagode.

Filha de uma família que vivia a música, desde o início uniu sua voz à luta do povo, e sempre apoiou sindicatos, movimentos populares, partidos de esquerda. Sempre ao lado daqueles que lutam pela democracia e pelos direitos do povo. Lições que trouxe do berço – em 1964 seu pai, o advogado João Francisco Leal de Carvalho, foi cassado pelo golpe militar. Seu crime: ter ideias avançadas e não aceitar a ruptura da legalidade democrática.

Beth Carvalho, que naquele ano completaria 18 anos, arregaçou as mangas e, com a mãe e a irmã Vania, trataram de enfrentar as dificuldades e prover o sustento da família. Ela, cantando, como sempre.

Nesta terça-feira (30/4), a Madrinha dos brasileiros enriqueceu o céu com mais uma estrela de brilho forte. Em sua homenagem, que soem os tamborins!

Recife, 30 de abril de 2019

*Luciana Santos é presidenta do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)