Lavrov defende na China “nova ordem mundial justa e democrática”

Ministros do Exterior da Rússia, Lavrov e da China, Wang Yi, no encontro realizado na cidade chinesa de Tunxi

O ministro do Exterior da Rússia, Sergei Lavrov, apontou para o momento de transição para “uma ordem mundial multipolar, justa e democrática”, durante encontro com Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China, às vésperas da terceira conferência ministerial dos países vizinhos do Afeganistão, que será realizada na cidade chinesa de Tunxi, na quinta-feira (31).

“Estamos passando por uma fase muito séria das relações internacionais. Estou convencido de que, no final desta fase, a situação internacional será esclarecida substancialmente e vamos avançar com vocês, juntamente com outros com o mesmo pensamento, para uma ordem mundial multipolar, justa e democrática”, disse Lavrov e ouviu do chanceler chinês que “a cooperação entre a Rússia e a China não tem limites, nossa luta pela paz não tem limites, nosso desejo de manter a segurança não tem limites, nossa oposição ao hegemonismo não tem limites”.

Tanto o chanceler russo como o ministro chinês observaram que Moscou e Pequim, no atual ambiente global desafiador, continuam reforçando a parceria estratégica e expressando uma posição comum.

Em comunicado divulgado depois do encontro, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia informou que “acordamos continuar a aumentar a coordenação na política externa, expandindo a cooperação na via bilateral e em vários formatos multilaterais”.

Sanções ilegais e contraproducentes

Os ministros das Relações Exteriores enfatizaram que as sanções unilaterais ilegais impostas contra a Rússia pelos Estados Unidos e seus aliados são contraproducentes. Além disso, Lavrov chamou a atenção para as atividades biológicas-militares realizadas na Ucrânia pelos EUA.

Wang Yi considerou que o conflito na Ucrânia vai dar lições a longo prazo e responder às legítimas preocupações de segurança de todas as partes “com base no princípio do respeito mútuo e da indivisibilidade da segurança”. Para ele, a guerra pode possibilitar “construir uma arquitetura de segurança europeia equilibrada, eficaz e sustentável através do diálogo e da negociação que é o que esperamos”.

O chefe da diplomacia russa e seu homólogo chinês também discutiram outros assuntos de interesse regional e global, como a situação no Afeganistão, na Ásia Central em geral e o programa nuclear do Irã e da Coreia do Norte, entre outros temas.