Lavínia, em debate promovido pelo PCdoB Minas, com Elias Jabbour e Wadson Ribeiro. Foto: Andressa Schilipar

A Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) passou a ter nova reitoria nesta semana. Lavínia Rosa Rodrigues, que estava à frente da instituição desde 2018, transmitiu o cargo ao professor Vinícius D’Ávila, eleito com 68% dos votos da comunidade acadêmica para o quadriênio 2026-2030. A cerimônia de posse ocorreu no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.

Lavínia é membro do Comitê Central do PCdoB, eleita no 16º Congresso do Partido. Ela também compõe o Comitê Estadual do PCdoB Minas Gerais, onde atua na Comissão de Educação.

Psicóloga formada pela PUC Minas, com mestrado em Educação pela Uerj, Lavínia soma mais de 30 anos de atuação na área educacional. Antes de assumir a reitoria, integrou conselhos de educação e ocupou posições de direção no Sinpro-Minas, na Federação Interestadual de Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Fitee) e na Confederação Nacional de Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee).

Ao longo dos dois mandatos, a gestão de Lavínia foi referência na defesa da Uemg, da educação pública e de seu acesso cada vez mais amplo à população.
No período em que esteve à frente da universidade, o número de professores de carreira praticamente dobrou, passando de 589 para 1.146, com 41 editais de concurso já encerrados e outros sete em andamento.

A universidade também homologou concurso para 178 cargos de técnicos e analistas universitários, aguardando nomeação em articulação com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).

Na graduação, a Uemg alcançou recorde histórico em 2026: 49 mil inscritos para 4 mil vagas nos cursos presenciais. A oferta de cursos à distância, em parceria com a Universidade Aberta do Brasil (UAB/Capes), foi ampliada para 27 municípios mineiros. A instituição conta hoje com 155 cursos de graduação presenciais e mais de 23 mil estudantes.

No âmbito da pós-graduação, foram criados dez novos cursos stricto sensu nos últimos oito anos, totalizando 17 programas de mestrado e doutorado. A política de assistência estudantil teve investimento ampliado de R$ 1,1 milhão em 2018 para R$ 18 milhões ao final da gestão, com mais de 5 mil benefícios distribuídos pelo Programa de Assistência Estudantil (Peaes). Os restaurantes universitários de Passos (inaugurado em 2025) e Divinópolis (em fase de conclusão) integram essa política.

Defesa da universidade pública


O período foi marcado por embates em torno da manutenção da Uemg como instituição estadual. Em 2025, o governo do Estado apresentou projetos de lei que propunham a transferência da universidade para a esfera federal e a alienação de seu patrimônio como forma de pagamento da dívida mineira com a União.

A proposta gerou reação da comunidade acadêmica e da população de Minas Gerais, com apoio da reitoria. Câmaras municipais de diversas cidades aprovaram moções de repúdio, e prefeituras publicaram manifestações de apoio à universidade.

O movimento resultou na retirada dos projetos pelo governo e na exclusão dos imóveis da Uemg da lista para pagamento da dívida estadual. A expressão “Uemg, quem conhece defende” passou a sintetizar o sentimento coletivo.

“Tivemos momentos difíceis e esperamos muito mais para a Uemg, mas fomos capazes de buscar a unidade quando tentaram acabar com a universidade. Foram muitas vezes”, afirmou em seu discurso de despedida.

Políticas de inclusão

A gestão implementou medidas de democratização do acesso, como o Programa de Inclusão Regional, criado em 2019 para garantir representatividade de candidatos residentes em Minas que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas estaduais. Em 2026, foi instituída vaga adicional para pessoas trans no vestibular da Uemg.
O sistema de reserva de vagas da universidade, por meio do Procan (Lei Estadual nº 22.570/2017), destina 50% das vagas a negros, quilombolas, indígenas, ciganos, pessoas com deficiência e egressos de escolas públicas.

Continuidade

Lavínia encerrou sua passagem pela reitoria com um balanço que destacou a ampliação da infraestrutura, a consolidação da pesquisa e a expansão do ensino. Em seu discurso, afirmou que a universidade “não se curva diante das tempestades; ela se fortalece nelas”.

A nova gestão, composta pelo reitor Vinícius D’Ávila e pela vice-reitora Vanesca Korasaki, assume a Uemg para o período 2026-2030. Korasaki integrou o segundo mandato de Lavínia como pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação.

A cerimônia de posse da nova reitoria ocorreu no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, com a presença de autoridades, representantes da comunidade acadêmica e lideranças políticas e sindicais.