Jandira Feghali aponta mentiras de Guedes em audiência na Câmara

Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A vice-líder da Minoria, deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), rebateu algumas afirmações feitas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, durante audiência nesta terça-feira (4) na Câmara e apontou algumas “inverdades” ditas pelo ministro de Bolsonaro.

Em quase seis horas de debate, Guedes assumiu um discurso fantasioso e afirmou que o governo Bolsonaro agiu desde o primeiro momento para conter o avanço da pandemia, liberando recursos para o Ministério da Saúde. O ministro disse ainda que o cenário econômico do país é positivo “graças às reformas” e que o Brasil tem tido um bom desempenho, com “crescimento nos empregos formais e aumento na arrecadação”.

Para Jandira, “não há verdades” nas falas de Guedes. “O que me chamou atenção foi a abertura do ministro, quando ele disse que confrontou a pandemia, logo no início, colocando meio trilhão de reais nas primeiras três ou quatro semanas. Isso é uma inverdade absoluta, porque nós atingimos R$ 600 bilhões ao final do ano, depois do pagamento do auxílio emergencial. Além disso, ele disse que propôs R$ 200 de auxílio apenas como uma base para discussão, porque tinha certeza que negociaria com o Congresso. Ora, nós sabemos que não foi isso! Na verdade, eles tiveram que engolir os R$ 600 por uma pressão absoluta do Congresso Nacional, pela demanda da sociedade. É só ver o que eles aprovaram agora: a maioria da sociedade ficou com R$ 150 reais”, rebateu a parlamentar.

Em sua apresentação, Guedes disse ainda que o governo liberou R$ 5 bilhões para a Saúde combater o novo coronavírus já nas primeiras semanas da pandemia, em março do ano passado e que o Brasil tem um desempenho econômico “bastante razoável” na pandemia. “Foi muito aceitável, para não dizer que bem melhor que todos os países avançados. Fizemos um trabalho duro e trabalhamos também na questão da Saúde”, afirmou Guedes.

Ele citou dados do mercado de trabalho formal e da arrecadação de tributos para mostrar a velocidade de “recuperação” da economia. “Os índices de atividade estão o dobro do esperado, economia formal já voltou”, completou.

“Ele disse que propôs R$ 5 bilhões de reais “de cara” para enfrentar a pandemia, que foi um remanejamento dentro do próprio SUS. No entanto, agora, o orçamento do SUS de 2021 está menor que o orçamento de 2020 e menor que o orçamento de 2015, porque não há nenhum respeito pela perda de vidas no enfrentamento da pandemia”, criticou Jandira.

O ministro afirmou ainda que o governo Bolsonaro priorizará em 2021 a tríade: emprego, saúde e renda. No entanto, todo esforço visto no Congresso é para avanço de pautas que prejudicam a população, como o avanço da Reforma Administrativa (PEC 32), que irá gerar o desmonte do serviço público; a diminuição do orçamento da Saúde; os ataques do presidente e de sua equipe aos países produtores de vacinas, dificultando, assim, o acesso do Brasil aos imunizantes para acelerar a vacinação no país; o avanço da agenda privatista; além do aumento do desemprego.

“O senhor Paulo Guedes disse que aumentou o número de empregos, o que é outra inverdade. Na verdade, nós estamos perdendo empregos, estamos com um número de desempregados absurdo. O último Caged mostrou que nós perdemos mais de 220 mil empregos. Nós não estamos ganhando empregados, nós estamos perdendo postos de trabalho. Nós estamos com mais de 36 milhões de pessoas entre desempregados, subocupados e desalentados. Portanto, não há verdade nas falas do ministro Paulo Guedes. Ele não tem autoridade para vetar projetos que daqui saiam”, enfatizou Jandira.

Manobra governista

Na audiência, a parlamentar criticou a manobra do governo para esvaziar os temas tratados na audiência. O líder do governo na Câmara, deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), articulou a participação de Guedes em audiência a ser realizada conjuntamente por oito comissões da Casa. Após críticas, quatro comissões decidiram aceitar a proposta para iniciar os debates com o ministro.

Dessa forma, a audiência desta terça-feira foi realizada pelas comissões de Educação; Finanças e Tributação; Seguridade Social e Família; e Trabalho, Administração e Serviço Público.

A deputada Jandira Feghali condenou a articulação e afirmou que a proposta foi um “desrespeito ao Parlamento”. “O governo foi juntando oito comissões da Casa, algo antirregimental, que eu nunca vi acontecer. Na minha opinião, isso expressa o desrespeito do governo com este Parlamento, porque, na verdade, nunca um ministro vai conseguir falar com 300 Parlamentares em um período curto de tempo. Em algumas horas não é possível responder ao conjunto dos parlamentares, muito menos aprofundar nenhum assunto”, afirmou Jandira.

O presidente da Comissão de Seguridade, deputado federal Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr (PP-RJ), afirmou que um novo requerimento poderá ser apreciado no colegiado para que Guedes volte à comissão para tratar exclusivamente dos temas correlatos à pandemia.

“Fui surpreendido com ligação do líder do governo com a proposta da junção. Considerei que o prejuízo da postergação seria maior. Nada impede que aprovemos um novo requerimento para uma nova vinda do ministro à comissão”, destacou.

 

Por Christiane Peres

 

(PL)