Itália será o 1º país da União Europeia a fabricar a vacina Sputnik V

A Sputnik V será produzida a partir de julho de 2021 nas fábricas da farmacêutica Adienne

(AP)

A vacina russa, Sputnik V, contra a COVID-19, será também produzida na Itália, informou a Câmara de Comércio russo-italiana na segunda-feira (8).

A iniciativa partiu de um acordo para a industrialização do produto no país envolvendo o Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI na sigla original) e a empresa farmacêutica Adienne Pharma & Biotech.

“Esta solução vai permitir [que a Itália possa] criar novos empregos e controlar totalmente o processo de produção do medicamento. Está prevista a produção de dez milhões de doses até o final do ano”, acrescentou o comunicado.

“A vacina será produzida a partir de julho de 2021 nas fábricas [da farmacêutica ítalo-suíça] Adienne na Lombardia, na localidade de Caponago, perto de Monza [norte da Itália]”, afirmou Stefano Maggi, assessor de imprensa do presidente da Câmara de Comércio.

“Este é o primeiro acordo para a produção no território da União Europeia da vacina Sputnik V”, completou Maggi.

O anúncio vem depois da Agência Europeia de Medicamentos (EMA na sigla em inglês), o órgão sanitário da União Europeia (UE), iniciar uma revisão contínua da vacina russa, processo que começou na semana passada.

A Sputnik V foi registrada na Rússia em agosto de 2020, sendo o primeiro imunizante no mundo a receber aprovação. A vacina obteve resultados de eficácia acima de 91%, estando entre os imunizantes com maior eficiência demonstrada em ensaios clínicos.

“As empresas italianas são estratégicas, possuem aptidões e competências únicas no cenário europeu e estão aptas a enfrentar o mercado com agilidade e rapidez. O acordo entre a Rússia e a nossa empresa associada é o primeiro com um parceiro europeu. É um acordo histórico que mostra o estado de saúde das relações entre os nossos dois países e sublinha como as empresas italianas sabem enxergar para além das controvérsias políticas”, comentou o presidente da Câmara de Comércio Ítalo-Russa, Vincenzo Trani.

“Neste momento a criação de uma vacina segura à disposição de todos é fundamental para sair desta situação de instabilidade para a saúde pública, as empresas e as economias dos nossos países. Fizemos uma corrida de revezamento sem filiações políticas ou bandeiras”, acrescentou.

Apesar da União Europeia ainda não ter formalmente autorizado o fármaco, a Hungria aprovou o Sputnik V e já está vacinando sua população, enquanto a República Tcheca e a Eslováquia também solicitaram doses e dizem que não vão esperar pela aprovação da EMA.

Após esse anúncio, as autoridades russas afirmaram que estavam preparadas para fornecer vacinas a 50 milhões de europeus a partir de junho.

Até o momento, três vacinas foram autorizadas pela UE: Pfizer-BioNTech, Moderna e AstraZeneca.

Uma quarta vacina, da Johnson & Johnson, está em processo de autorização. Além da Sputnik V, outras duas estão sendo revisadas, Novavax e CureVac.