Itália deixa no mar 257 resgatados em navio humanitário por 8 dias

Legenda: Navio humanitário Sea Watch 3 aportou na Sicília com imigrantes resgatados

(foto extraída de vídeo)

O barco Sea Watch 3, da organização humanitária Sea Watch International, foi autorizado somente neste sábado (7), a desembarcar 257 migrantes que resgatou no Mediterrâneo, depois de oito dias ao mar aguardando autorização das autoridades italianas.

Agora, os tripulantes da embarcação Ocean Viking, da organização francesa SOS Mediterranée, buscam autorização para o desembarque de 549 sobreviventes resgatados das águas. O Ocean Viking está com os resgatados desde 4 de agosto.

A organização SOS Mediterranée denuncia que esta espera é desumana para homens, mulheres e crianças a bordo. São pessoas que sofreram experiências traumáticas que incluem naufrágio, violência sexual e todo tipo de abusos por parte de traficantes que recebem pagamentos em dinheiro, bens e até sexo para atirar tais migrantes ao mar sem as mínimas provisões alimentícias, sem qualquer segurança e sem as mínimas condições para efetuarem a perigosa travessia.

Este quadro tem levado ativistas de organizações humanitárias a exigir que os países da Europa estabeleçam um sistema de desembarque uma vez que a atual forma de tratarem o assunto correspondem a mais um fator que deixa tais governos com iniludível dívida em termos de direitos humanos, ainda mais governos que se dizem com moral para exigir de outros comportamento adequado em termos de direitos humanos ou respeito a garantias individuais.

Isso é mais grave ainda quando se trata de países do chamado Velho Continente que ainda prosseguem obtendo dividendos de seu passado de exploração colonial imposta com violência na África e no Oriente Médio, a exemplo da França, Inglaterra, Bélgica, Portugal, Itália, Alemanha e Holanda.

A esta dívida, que se soma ao dever do resgate e abrigo de seres humanos em condições precárias, ainda há que sublinhar o agravamento das condições de vida em várias regiões da África após a agressão e invasão da Líbia, o mais próspero e empregador dos países africanos sob o governo de Muamar Kadafi. A Líbia tornou-se um Estado sem lei e epicentro do tráfico humano e a exploração até a escravização de migrantes.