Há 132 anos, esse foi o primeiro dia em que, depois de três séculos e meio de martírios e lutas, legiões de negros no Brasil acordaram ex-escravos.

Viram-se, contudo, no dia seguinte á lei que pôs fim à escravidão, ex-escravos sem nada, sem terra, sem moradia, sem recurso algum.

Saíram das senzalas, restavam-lhes as favelas.

Resistiram e resistem heroicamente, conquistando com enormes dificuldades o espaço que lhes é devido na sociedade que muito ajudaram a construir.

A canção “14 de maio”, de Lazzo Matumbi e Jorge Portugal, retrata a estrada sem rumo do dia seguinte do ex-escravo que surgia, mas cuja “alma resiste”, cujo “corpo é de luta” e cuja consciência sabe que “a coisa mais certa tem que ser a coisa mais justa”.

Nessa hora em que lutamos contra uma pandemia e contra um presidente alucinado, quando muita gente morre, mas quem morre mais são os negros, ouçamos com reverencia Lazzo Matumbi cantar o “14 de maio”.

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